Comércio Brasil-China avança enquanto com EUA encolhe
Comércio Brasil-China avança enquanto com EUA encolhe

As exportações brasileiras para a China registraram um avanço significativo de 12% nos primeiros quatro meses de 2024, enquanto as vendas para os Estados Unidos encolheram 8% no mesmo período, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços. A mudança no fluxo comercial reflete uma reorientação estratégica do Brasil em direção ao mercado asiático, em detrimento do norte-americano.

China se consolida como principal parceiro comercial

O aumento das exportações para a China foi impulsionado principalmente por commodities como soja, minério de ferro e petróleo. A soja, em particular, teve um crescimento de 18% em volume, totalizando 34 milhões de toneladas embarcadas. O minério de ferro cresceu 9%, e o petróleo bruto, 15%. Com isso, a China responde por 32% das exportações totais do Brasil, ante 28% no ano passado.

"A China continua sendo o motor das exportações brasileiras, e a tendência é de aprofundamento dessa relação", afirmou o economista-chefe da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro. Ele destacou que a demanda chinesa por alimentos e energia deve se manter aquecida.

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Exportações para os EUA em queda

Em contrapartida, as exportações para os Estados Unidos caíram 8%, totalizando US$ 8,5 bilhões. Os principais produtos afetados foram aeronaves, com retração de 22%, e semimanufaturados de ferro e aço, com queda de 15%. O encolhimento é atribuído à desaceleração econômica americana e ao aumento da concorrência de outros fornecedores.

"A queda nas exportações para os EUA é preocupante, mas não surpreendente, dado o cenário global", comentou a analista de comércio internacional da Fundação Getulio Vargas (FGV), Lia Valls. Ela ressaltou que a diversificação de mercados é essencial para reduzir a dependência de um único parceiro.

Impactos na balança comercial brasileira

O saldo da balança comercial brasileira com a China foi superavitário em US$ 12,5 bilhões no período, enquanto com os EUA o superávit foi de apenas US$ 1,2 bilhão. No total, o Brasil registrou superávit de US$ 25,7 bilhões, um aumento de 6% em relação ao mesmo período de 2023.

O governo brasileiro vê com bons olhos o fortalecimento dos laços com a China. "Estamos ampliando parcerias estratégicas, especialmente em infraestrutura e energia", disse o ministro da Economia, Fernando Haddad, durante evento em Pequim no mês passado.

Perspectivas para o restante do ano

Analistas projetam que as exportações para a China devem continuar crescendo, impulsionadas pela recuperação econômica chinesa. Já as vendas para os EUA podem se estabilizar, mas dificilmente retornarão aos níveis anteriores. A guerra comercial entre EUA e China também influencia os fluxos, beneficiando o Brasil como fornecedor alternativo.

"O Brasil precisa aproveitar essa janela de oportunidade, mas sem descuidar do mercado americano", ponderou Castro, da AEB. A diversificação continua sendo um desafio para a política comercial brasileira.

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