O Rio Rotativo Digital começou a ser testado nesta sexta-feira no entorno da Lagoa Rodrigo de Freitas, na Zona Sul do Rio. O novo sistema substitui os talões de papel pelo aplicativo Jaé, eliminando o pagamento em dinheiro para os guardadores, que agora atuam como "agentes de verificação". O primeiro dia foi marcado por dúvidas, mas motoristas já começam a se adaptar à modernização.
Funcionamento e vagas
No total, 903 vagas passam a ser geridas pelo modelo digital na região do projeto-piloto. Antes, estacionamentos como os dos parques dos Patins e do Cantagalo, administrados por empresas privadas, cobravam diárias de até R$ 75. Agora, o valor é de R$ 2 por cada duas horas, com limite de seis horas de uso. Após esse período, o motorista deve deixar a vaga por pelo menos uma hora. O canteiro central da Avenida Epitácio Pessoa, entre as avenidas Henrique Dumont e Henrique Dodsworth, tem nove trechos incluídos, assim como estacionamentos próximos aos clubes Caiçaras e Piraquê e nos parques das Taboas, dos Patins e Cantagalo.
Reações e adaptação
O vendedor de coco Raul Jerônimo, que trabalha no Parque dos Patins, questionou: "Antes, havia um acordo de cavalheiros. A gente dava cachorro-quente e guaraná natural aos flanelinhas e ganhava a vaga. Como vai ser para quem fica o dia todo?" O secretário municipal de Transportes, Jorge Arraes, reforçou que a vaga é rotativa e o limite de tempo deve ser respeitado: "A gente quer incentivar a rotatividade das vagas. Antes, havia vários acordos, até com autoescolas. Mas a vaga é pública e assim será."
Pagamento e multas
É possível realizar o pagamento retroativo em até oito horas após a primeira verificação do guardador, mas com valor dobrado. Para quem não pagar, a multa é de R$ 195,23. Vagas para motocicletas são gratuitas no início, mas haverá cobrança futura. Idosos e pessoas com deficiência (PCD) não pagam se estacionarem em vagas sinalizadas, sem necessidade de usar o app. Caso ocupem vagas comuns, devem pagar pelo Jaé.
Remuneração dos guardadores
Decreto publicado na véspera define que os guardadores receberão R$ 1,40 por verificação, com R$ 0,22 para a associação e R$ 0,38 para a prefeitura. Eles devem usar uniforme padrão da SMTR, com camisa amarela e logotipos, além de um número de identificação. O guardador Haroldo Silva, do Parque do Cantagalo, explicou: "O nosso procedimento é explicar para o usuário como funciona. Quando ele chega na vaga, a gente informa, se ele ainda não tiver, que precisa baixar o aplicativo Jaé, pelo qual é realizado o pagamento. Fotografamos a placa do veículo e enviamos para a prefeitura, que vai confirmar o pagamento." Os guardadores não aplicam multas, função que segue com as autoridades.
Treinamento e sindicato
Moises Trajane, presidente do Sindicato dos Guardadores de Automóveis do Estado do Rio (Singerj), afirmou que o treinamento dos agentes de verificação ocorreu na véspera, na prefeitura, e que 57 guardadores foram cadastrados para a nova função.
Como usar o aplicativo
Após baixar o Jaé (disponível para Android e iOS), o usuário deve clicar em "Rio Rotativo". Caso a opção não apareça, é necessário atualizar o app. Em seguida, cadastrar placa, marca, modelo e cor do veículo. Confirmando o endereço na tela, o motorista escolhe o tempo de permanência: duas, quatro ou seis horas. O valor é debitado da conta do Jaé. Uma mensagem confirma o pagamento, e o motorista recebe uma notificação dez minutos antes do fim do período.
Pane e primeiras impressões
Na noite anterior, o Jaé sofreu uma pane de cerca de uma hora, mas na sexta-feira estava normalizado. Durante a operação, alguns motoristas tiveram dificuldade em encontrar o modelo exato do carro no app. Na Avenida Epitácio Pessoa, guardadores ainda confusos aprendiam a usar o sistema. O projetista Hélio Viana baixou o app em casa após ver na TV: "Perguntei ao guardador se precisava cadastrar a placa. Ele não soube responder." Ele conseguiu preencher as informações com ajuda. "Comigo foi tranquilo, porque sou jovem (49 anos). Uma pessoa de idade vai ter mais dificuldade." O coordenador administrativo Jorge Machado, que estava com a filha, precisou colocar crédito no Jaé na hora e demorou com o cadastro. "Se essa forma vingar, é melhor. Evita o contratempo de ter que pagar o que os flanelinhas querem."
Avaliação da prefeitura
A SMTR informou que treinou os guardadores e distribuiu equipes para orientação. A Comissão de Assuntos Urbanos da Câmara do Rio esteve na Lagoa e contabilizou tempo médio de 45 segundos para acessar o Jaé e realizar o pagamento, considerado positivo.



