Uma brasileira de 30 anos foi condenada a um ano de prisão com pena suspensa por dois anos por violar a lei coreana contra perseguição e por invasão de propriedade, após perseguir o cantor Jung Kook, do grupo BTS, em Seul, na Coreia do Sul. A informação foi divulgada pelo jornal sul-coreano The Korea Times e pelo site Law Talk News.
Detalhes da condenação
Segundo o site LawTalk News, o juiz Park Ji-won, do Tribunal Distrital Ocidental de Seul, proferiu a sentença. A brasileira não deve ser presa imediatamente, desde que cumpra as condições impostas pela Justiça e não cometa novas infrações no período. O tribunal destacou como agravante o fato de a mulher ter ido até a casa do artista mesmo após receber advertência da polícia e descumprir medidas emergenciais. Na madrugada do dia 12 de dezembro, a brasileira tocou a campainha 133 vezes, enfatizou o site. A Justiça também considerou que Jung Kook pedia uma punição severa.
Circunstâncias atenuantes
Por outro lado, o tribunal levou em conta que a brasileira teria agido para expressar sentimentos ao cantor, sem intenção de causar danos diretos. A corte avaliou que Jung Kook não presenciou diretamente a invasão no momento em que a campainha foi acionada e que a mulher não acessou áreas mais internas da residência, como o quarto. Outro fator para a suspensão da pena foi o risco reduzido de reincidência. De acordo com o tribunal, a brasileira está detida há cerca de três meses e deverá ser deportada após a sentença se tornar definitiva, o que diminui a possibilidade de novos episódios envolvendo o artista.
Histórico do caso
Em janeiro, o g1 mostrou que ela foi levada à delegacia pela polícia de Yongsan, no Centro de Seul, após ir até a residência do cantor. Na época, familiares afirmaram que a brasileira tem transtorno mental e tentavam trazê-la ao país. Ela teria viajado sem avisar a família. O jornal The Korea Herald divulgou que a mulher invadiu a residência de Jung Kook 20 vezes ao longo de um mês, desde 7 de dezembro de 2025. Diante disso, as autoridades a detiveram e encaminharam o caso ao Ministério Público.
Transtorno mental e preocupação familiar
Uma parente, em entrevista exclusiva ao g1, afirmou que a jovem é da Paraíba, mas morava em São Paulo por pelo menos dois anos e não avisou a família quando viajou para Seul, em novembro. Segundo ela, os familiares tentavam trazê-la de volta ao Brasil por considerarem a situação de urgência, já que ela estaria em surto por acreditar que Jung Kook é o amor de sua vida. “Ela saiu da Paraíba e foi para São Paulo trabalhar há algum tempo. Tentei ajudá-la a continuar o tratamento psicológico que fazia na cidade dela, mas ela não aceitou. Descobrimos que ela estava na Coreia do Sul pelas redes sociais, o que foi um grande susto. Ela conseguiu guardar um dinheiro depois de pedir ajuda à mãe e foi sozinha. Estamos extremamente preocupados, porque a situação está piorando”, relatou.
A familiar afirmou ainda que a rotina da família foi impactada pela preocupação constante. “A gente não teve Natal, Ano Novo, nada. Ficamos o tempo todo pensando nela, sozinha e sem a medicação necessária. Quando soubemos da averiguação da polícia por causa do cantor, que ela diz ser o grande amor, ficamos realmente muito preocupados. Foram três vezes que ela foi detida”, disse. Segundo a parente, médicos apontam que a brasileira tem transtorno mental e necessita de medicação controlada. “Se o governo deportar ela para cá, será bem melhor, porque poderemos levá-la para a casa da mãe. Do jeito que está, pode acontecer algo pior”, afirmou.
Outra familiar, que também preferiu não se identificar, disse que a jovem já teve um surto semelhante em 2021. “Foi algo fora do normal. Ela foi levada ao psiquiatra e o médico diagnosticou transtorno. Ela conversa com a mãe todos os dias, que pede para ela voltar, mas ela diz que não vem”, contou.
Detenção e assistência consular
Segundo apuração do g1, a brasileira foi encontrada pelas autoridades coreanas e levada para um centro de detenção em fevereiro deste ano, onde está presa preventivamente. Ela tem recebido visitas do consulado e mensagens de familiares. Na época, o Ministério das Relações Exteriores brasileiro, por meio da Embaixada em Seul, disse ao g1 que "presta assistência consular à nacional brasileira". O g1 também questionou se a mulher deve ser deportada só após o fim das investigações, mas o ministério não informou detalhes. "Em atendimento ao direito à privacidade e em observância ao disposto na Lei de Acesso à Informação e no decreto 7.724/2012, o Ministério das Relações Exteriores não divulga informações pessoais de cidadãos que requisitam serviços consulares e tampouco fornece detalhes sobre a assistência prestada a brasileiros", disse a pasta, em nota.



