Os mercados acionários da Ásia encerraram a sessão desta sexta-feira com quedas expressivas, puxadas por um movimento generalizado de aversão ao risco que atingiu com mais força as ações ligadas ao setor de inteligência artificial (IA). O índice Nikkei, do Japão, tombou 4,2%, enquanto o sul-coreano Kospi recuou 3,8% e o Hang Seng, de Hong Kong, perdeu 3,5%. O índice geral da região, o MSCI Ásia-Pacífico, caiu 3,1%.
Regulação de IA nos EUA e China pressiona mercados
O gatilho para o movimento veio de declarações de autoridades nos Estados Unidos e na China, sugerindo que novos marcos regulatórios para o desenvolvimento e uso de inteligência artificial estão próximos. Segundo fontes ouvidas pelo Valor, o governo americano deve apresentar na próxima semana um conjunto de regras que exigem transparência em algoritmos e testes de segurança obrigatórios antes do lançamento de novos sistemas. Na China, o regulador de cibersegurança teria sinalizado que pretende ampliar as restrições a modelos de IA generativa, especialmente aqueles que operam com dados de usuários chineses.
O movimento de vendas foi concentrado em papéis de empresas como a japonesa SoftBank, que recuou 6,7%, e a sul-coreana Naver, dona do buscador local e de plataformas de IA, que caiu 5,9%. Na China, a Tencent perdeu 4,1% e a Baidu, 5,3%. A fabricante de chips TSMC, listada em Taiwan, também sofreu, com queda de 3,8%.
Impacto sobre tecnologia e semicondutores
O setor de semicondutores, que vinha sendo impulsionado pela demanda por chips para IA, foi um dos mais afetados. O índice de ações de semicondutores da Ásia, monitorado pela Bloomberg, caiu 4,5%, maior queda diária em seis meses. A preocupação dos investidores é que a regulação mais rígida possa frear o ritmo de adoção de IA e, consequentemente, reduzir as encomendas de chips e servidores especializados.
O analista Kim Seung-ki, da NH Investment & Securities, afirmou: "O mercado está reagindo ao risco de que as novas regras, tanto nos EUA quanto na China, imponham custos adicionais e atrasos aos projetos de IA, o que afeta diretamente as perspectivas de receita das empresas expostas ao setor."
Bolsa de Tóquio lidera perdas na região
Em Tóquio, o Nikkei fechou aos 38.452 pontos, menor nível desde maio. O movimento foi ampliado pela valorização do iene, que ganhou 0,8% frente ao dólar, prejudicando as exportadoras japonesas. A Toyota Motor caiu 2,3% e a Sony, 3,1%. O índice Topix, mais amplo, recuou 3,5%.
Na Coreia do Sul, o Kospi fechou em 2.580 pontos, com perdas generalizadas. A Samsung Electronics, maior empresa do país, caiu 2,9%, e a SK Hynix, fabricante de chips de memória, perdeu 4,6%.
China e Hong Kong também no vermelho
Em Hong Kong, o Hang Seng foi pressionado pela queda das ações de tecnologia, com o índice Hang Seng Tech despencando 5,1%. A Alibaba recuou 4,8% e a Meituan, 4,2%. Na China continental, o Shanghai Composite caiu 2,1% e o CSI 300, que reúne as principais ações listadas em Xangai e Shenzhen, perdeu 2,3%.
O mercado também digeriu dados econômicos mistos: a produção industrial chinesa cresceu 5,3% em junho na comparação anual, ligeiramente abaixo da expectativa de 5,5%, enquanto as vendas no varejo subiram 4,8%, superando a previsão de 4,5%. Apesar disso, o sentimento negativo prevaleceu, com investidores focados no ambiente regulatório.
No acumulado da semana, o Nikkei cai 6,1%, o Kospi perde 5,4% e o Hang Seng recua 4,9%. O movimento de sexta-feira amplia as perdas de julho, que já superam 8% em alguns índices, refletindo a crescente incerteza quanto ao futuro da regulação de inteligência artificial e seu impacto sobre as empresas do setor.



