Milei reduz gasto público da Argentina com ajuste fiscal e apoio externo
Milei reduz gasto público da Argentina com ajuste fiscal

O governo argentino comandado por Javier Milei anunciou, neste sábado (1º), um dos maiores cortes de gastos públicos da história recente do país. O ajuste fiscal, apoiado por um cenário externo favorável, resultou em superávit primário de 0,8% do PIB no primeiro semestre de 2026, consolidando a promessa do presidente de equilibrar as contas públicas.

Redução histórica de despesas

Os dados oficiais do Ministério da Economia mostram que o gasto público primário caiu 2,5% do PIB em relação ao mesmo período do ano anterior, impulsionado por cortes em subsídios, enxugamento da máquina estatal e reforma administrativa. A equipe econômica atribui o resultado à política de "déficit zero" implementada desde o início do mandato, que eliminou quase 40 mil cargos comissionados e reduziu pastas ministeriais de 18 para 8.

"O ajuste é estrutural e não conjuntural", explicou o vice-ministro da Economia, José Luis Daza, durante apresentação a investidores. "Estamos criando as bases para um crescimento sustentável sem depender de novos endividamentos."

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Conjuntura externa favorável

O êxito do programa também foi beneficiado pelo ambiente internacional. A alta dos preços das commodities agrícolas e a expansão das exportações de energia de Vaca Muerta aumentaram a arrecadação em 19% no período, segundo a Receita Federal argentina. Além disso, a queda dos juros internacionais reduziu o custo da dívida externa, permitindo ao país renegociar vencimentos com condições mais brandas.

Analistas ouvidos pela imprensa local destacam que o superávit fiscal foi alcançado sem recorrer a calotes ou emissão monetária, mas alertam para o custo social: a taxa de pobreza permanece em 36%, ainda que em queda. O governo argumenta que a estabilização econômica é pré-condição para a recuperação do poder de compra.

Reação dos mercados e desafios

Os mercados reagiram positivamente: o risco-país caiu para 480 pontos-base, menor nível desde 2018, e o Banco Central começou a acumular reservas internacionais, que já superam US$ 12 bilhões no ano. A bolsa de Buenos Aires registrou alta de 23% em julho, impulsionada por ações de bancos e empresas de energia.

No entanto, o ajuste enfrenta forte resistência social. Sindicatos convocaram greves contra os cortes em educação e saúde, e o peronismo no Congresso tenta aprovar leis que revertem parte das medidas. A oposição acusa o governo de sacrificar o bem-estar social em nome do equilíbrio fiscal.

Perspectivas para o segundo semestre

A meta do governo é manter o superávit até o fim do ano e iniciar uma reforma tributária que reduza impostos para o setor produtivo. Milei afirmou em discurso na noite de sexta-feira que "o pior já passou" e que a Argentina "deve se acostumar a viver com o que produz".

Especialistas ponderam que a sustentabilidade da política dependerá da manutenção das condições externas e da capacidade de aprovar reformas estruturais no Legislativo. Mesmo assim, o cenário atual contrasta com os déficits crônicos que marcaram as últimas décadas do país.

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