MC Hariel é novo embaixador da Kenner no Dia Estadual do Funk
MC Hariel é novo embaixador da Kenner no Dia do Funk

A Kenner anunciou MC Hariel como seu novo embaixador no dia 7 de julho, data que marca uma década do Dia Estadual do Funk em São Paulo. A escolha não foi casual: ao atrelar o anúncio a um marco institucional da cultura periférica, a marca se aproxima de um território que já frequenta há anos, agora com narrativa mais estruturada.

Legitimidade construída nas ruas

A Kenner construiu presença consistente nas ruas antes de qualquer estratégia formal de branding. Esse histórico aparece na fala de Hariel. “Antes de virar campanha, ela já tava no pé de quem corre atrás faz tempo”, diz. Há um ponto importante aqui: a legitimação não vem do discurso publicitário, mas do uso cotidiano. Isso diferencia marcas que chegam depois do hype das que já estavam inseridas no contexto.

Redução de ruído entre mercado e cultura de rua

O movimento também revela uma tentativa de reduzir o ruído comum entre mercado e cultura de rua. Hariel aponta um problema recorrente – que a Kenner não vive – de marcas que tentam traduzir a estética sem escutar a vivência. “Quando a marca chega querendo ensinar, normalmente não funciona”, afirma. A rua não opera como tendência, mas como sistema cultural com códigos próprios.

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Do lado da Kenner, a escolha por anunciar no Dia Estadual do Funk reforça esse alinhamento. Segundo Lucas Rodrigues, coordenador de branding, estratégia e cultura da marca, a decisão passa pelo reconhecimento do funk como força cultural brasileira. A presença de Hariel funciona como ponto de convergência entre duas trajetórias que compartilham origem e público.

Ativação e evento

A ativação que acompanhou o anúncio seguiu essa lógica. A roda de conversa “Memória do Funk em São Paulo”, realizada no Projeto 2005 em Pinheiros, trouxe nomes como Luana Maia, Montanha Funk TV e RD da Dz7, com mediação de Renata Prado, pesquisadora, pedagoga e também embaixadora da marca. O evento ainda incluiu uma apresentação do coletivo Passinhos do Brasil, que traduziu em performance um dos elementos mais emblemáticos do funk. A escolha do grupo reforça a leitura de que o movimento não é apenas musical, mas também corporal, visual e comunitário.

Homenagem ao Dia do Funk

Ao fundo de toda a ação está o próprio significado da data. O Dia Estadual do Funk é uma homenagem a MC Daleste, assassinado em 2013 durante um show em Campinas. Esse contexto adiciona uma camada de memória e reforça que o funk, além de produto cultural, carrega histórias marcadas por violência, resistência e afirmação.

Hariel também aponta uma mudança importante no mercado. Segundo ele, o funk deixou de ser tratado apenas como entretenimento e passou a ser reconhecido como linguagem de negócio. “A gente movimenta mercado, influencia comportamento, lança tendência”, afirma. Ainda existe resistência, mas o eixo econômico já se tornou difícil de ignorar.

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