As exportações brasileiras para a Argentina — terceiro maior parceiro comprador do país, atrás apenas de China e Estados Unidos — caíram 18,1% nos últimos 12 meses, de acordo com dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), na comparação com o mesmo período do ano anterior.
Cenário das exportações
Em junho de 2024, as vendas para o país vizinho totalizaram US$ 1,3 bilhão, ante US$ 1,6 bilhão registrados em junho de 2023. Com isso, a participação da Argentina nas exportações brasileiras caiu de 5,6% para 3,7%. A indústria automotiva é a principal responsável por esse fluxo, com destaque para veículos e autopeças.
O levantamento do Mdic mostra que a queda é generalizada, mas o setor automotivo concentra a maior parcela das perdas. Em um contexto de recessão na Argentina e medidas de austeridade do governo Javier Milei, a demanda por produtos brasileiros diminuiu significativamente.
Principais produtos comercializados
Entre os principais itens exportados em junho de 2024, destacam-se: veículos e automóveis (US$ 223 milhões, 16,86% do total), partes e acessórios de veículos automotivos (US$ 105 milhões, 7,93%), veículos para transporte de mercadorias e usos especiais (US$ 57 milhões, 4,34%), veículos rodoviários (US$ 38 milhões, 2,88%) e máquinas e aparelhos elétricos (US$ 34 milhões, 2,58%).
Do lado das importações, os principais produtos comprados da Argentina em junho foram: veículos para transporte de mercadorias e usos especiais (US$ 352 milhões, 27,41%), veículos automóveis de passageiros (US$ 134 milhões, 10,44%), trigo e centeio não moídos (US$ 77 milhões, 6%), óleos brutos de petróleo ou minerais betuminosos (US$ 71 milhões, 5,53%) e polímeros de etileno em formas primárias (US$ 58 milhões, 4,53%).
Importações em alta
Enquanto as exportações brasileiras caíram, as importações de produtos argentinos cresceram 3,8% em junho de 2024, na comparação com o mesmo mês de 2023. Esse aumento foi puxado principalmente por veículos e autopeças, além de produtos agrícolas como trigo e cevada. A balança comercial bilateral, no entanto, permanece favorável ao Brasil, com superávit de US$ 700 milhões no mês.
Segundo analistas, a alta das importações reflete a competitividade dos produtos argentinos, beneficiados pela desvalorização cambial e pelos acordos setoriais entre os dois países.
Contexto diplomático
A queda no comércio ocorre em meio a uma relação conturbada entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Javier Milei. No último final de semana, Milei voltou a criticar Lula durante um evento de campanha do opositor Flávio Bolsonaro. As tensões se intensificaram após o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, convocar o embaixador argentino, Daniel Raimondi, para manifestar repúdio às falas do chefe de Estado argentino.
Em seguida, integrantes do governo brasileiro, como o ministro da Fazenda, Dario Durigan, chamaram Milei de “palhaço”, enquanto Lula fez ironias sobre o colega argentino. Milei respondeu com novos ataques nas redes sociais. A crise diplomática levanta preocupações sobre o futuro das relações comerciais, embora especialistas acreditem que os negócios entre os países tendem a superar divergências políticas.



