UE propõe acesso gradual a redes sociais para crianças
UE propõe acesso gradual a redes sociais para crianças

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, defendeu nesta segunda-feira, 13, que as crianças devem ter “acesso gradual e faseado” às redes sociais, enquanto especialistas recomendaram que menores de 13 anos usem plataformas online somente sob supervisão. A declaração ocorre em meio a pressões de Estados-membros como Grécia e França para limitar o acesso em todo o bloco, seguindo exemplo da Austrália.

Recomendações de especialistas

Para embasar decisões, von der Leyen incumbiu um painel de especialistas — médicos, acadêmicos, representantes da juventude e pais — de apresentar recomendações. Eles divulgaram o relatório na segunda-feira, sugerindo que bebês e crianças pequenas não tenham contato com telas, e que o uso de “mídias sociais apropriadas para a idade” seja supervisionado para crianças entre 3 e 12 anos. Para adolescentes de 13 a 18 anos, recomendam “uso autônomo e progressivo” com “recursos de segurança essenciais”.

Declarações de von der Leyen

“Já existe um consenso de que precisa haver uma data inicial para que as crianças possam começar a usar as redes sociais”, disse von der Leyen, defendendo “restrições adequadas à idade”. Ela acrescentou: “Não se trata de saber se as crianças podem acessar as redes sociais. Trata-se de saber se e quando as redes sociais poderão acessar nossas crianças.” Uma proposta legal será apresentada no segundo semestre, com indicação das restrições em setembro.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Responsabilidade das plataformas

“As plataformas devem provar que seus serviços não causam danos. Na Europa, quem desenvolve um produto é responsável por sua segurança”, afirmou von der Leyen. A UE já intensificou pressão sobre redes sociais, instruindo Facebook e Instagram a desmantelar recursos “viciantes” na sexta-feira, 10, após aviso similar ao TikTok em fevereiro.

Divergências internas

O relatório não recomenda proibição total, e von der Leyen não apoia tal medida. O painel constatou que a proibição australiana enfrenta dificuldades, com crianças contornando limites. Em vez disso, defende-se remover funcionalidades como reprodução automática, rolagem infinita e notificações push. O Parlamento Europeu pediu em outubro proibição para menores de 16 anos, mas há divergências. A eurodeputada Christel Schaldemose afirmou: “Continuo a acreditar que a idade deveria ser 15 anos, e não 13.”

Próximos passos

Qualquer proposta da UE só se tornará lei após negociações entre parlamento e Estados-membros. Países como Espanha querem proibir acesso de menores de 16 anos, França propõe 15 anos, enquanto Estônia se opõe. Von der Leyen disse que a Comissão analisará propostas nacionais e buscará “harmonizar a abordagem”. O chefe de proteção ao consumidor da UE, Michael McGrath, prometeu nova lei até o final do ano para proteger crianças contra designs viciantes: “Os mercados digitais são concebidos para captar a atenção. As novas regras ajudarão a garantir escolhas informadas e livres de manipulação.”

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar