Turismo na Europa: multidões e protestos marcam boom pós-pandemia
Turismo na Europa: multidões e protestos marcam boom pós-pandemia

O turismo global já estava em alta em 2024, quando as viagens internacionais atingiram 99% dos níveis pré-pandemia, de acordo com o Barômetro Mundial do Turismo da Organização das Nações Unidas (ONU). No primeiro trimestre de 2025, as chegadas de turistas internacionais aumentaram 5% em relação ao mesmo período no ano passado e 3% na comparação com o 1º trimestre de 2019, último ano antes da covid.

Esse aumento se deve, em parte, à tendência chamada revenge travel (“viagem de vingança”): as pessoas estão embarcando para realizar o turismo tão esperado, que não puderam fazer durante a pandemia. Como resultado, lugares e destinos de férias famosos estão enfrentando um grande fluxo de turistas.

Espanha: quase o dobro da população em visitantes

Um dos países mais afetados pela enxurrada de turistas é a Espanha, que recebeu cerca de 94 milhões de viajantes estrangeiros em 2024 – quase o dobro da população total do país, de 49 milhões. A enorme quantidade de visitantes do exterior vem deixando os destinos mais movimentados e os preços mais altos, e tanto moradores quanto turistas do país estão sendo afastados das próprias regiões.

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Nos 25 pontos costeiros mais populares da Espanha, onde os custos de hospedagem subiram 23% nos últimos três anos, o turismo estrangeiro respondeu por mais 1,94 milhão de visitantes no ano passado, enquanto o local registrou menos 800 mil. Em contrapartida, quando comparado o ano passado com o anterior, houve um aumento de aproximadamente 1,7 milhão de espanhóis passando férias no interior, em áreas com preços mais acessíveis.

Mas os moradores não estão abrindo mão de suas cidades e destinos de férias regionais facilmente. Em Barcelona, que tem uma população de 1,7 milhão de habitantes e recebeu 15,5 milhões de visitantes nacionais e estrangeiros no ano passado, manifestantes foram às ruas neste ano e no ano passado para jogar água nos turistas com pistolas de brinquedo.

Louvre: 5 milhões além da capacidade

Em Paris, os funcionários do Louvre entraram em greve em junho - contra a multidão, a falta de pessoal e as condições de trabalho. Atualmente, o museu mais visitado do mundo limita o público diário a 30 mil pessoas. Isso eleva o máximo anual para 9,3 milhões de visitantes, cerca de 5 milhões a mais do que o Louvre foi projetado para receber.

Enquanto os moradores protestam contra o turismo de massa, os governos tentam saciar seus eleitores sem perder o impulso econômico que o setor proporciona. As viagens representaram 10% da economia global em 2024. A expectativa é de que na Espanha cheguem a 16% do PIB (ou US$ 303,3 bilhões) e na França alcancem 9,3% (ou US$ 319,2 bilhões).

Taxa em Veneza e limitação ao Airbnb

Na tentativa de apaziguar ambos os lados, no ano passado, o governo da Itália criou uma taxa de € 5 (pouco mais de R$ 30) para visitas a Veneza, com o objetivo de reduzir o fluxo na cidade declarada Patrimônio Mundial da Unesco. A taxa, implementada em abril, aplica-se apenas a passeios de um dia, não a visitas mais longas, e vigora só por 54 dias da alta temporada.

Moradores de Veneza, cuja população diminuiu de cerca de 175 mil habitantes na década de 1970 para menos de 50 mil no ano passado, disseram que a taxa de entrada transformou a cidade num parque de diversões e não fará muito para desencorajar os turistas.

Os governos também estão endurecendo as regulamentações sobre aluguéis de curta duração, especialmente o Airbnb, que limita a oferta de moradia e acaba provocando aumento dos preços de imóveis residenciais. A empresa, que nega ter qualquer influência nos valores mais caros dos imóveis, atualmente recorre de uma decisão que proíbe a venda tirou cerca de 66 mil propriedades imóveis na Espanha que violam as regras locais. Londres e Paris limitaram para 90 dias o número de noites em que um imóvel pode ser alugado por ano.

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