Terremoto na Venezuela: jornalista relata angústia e medo de familiares
Terremoto na Venezuela: jornalista relata angústia e medo

Pelo menos 164 pessoas morreram e 971 ficaram feridas após dois fortes terremotos atingirem a Venezuela na noite de quarta-feira (24), segundo autoridades. Os abalos, de magnitudes 7,2 e 7,5, ocorreram com menos de um minuto de diferença, por volta das 19h no horário de Brasília, e provocaram o desabamento de diversos prédios em Caracas e outras cidades. Mais de 10 mil pessoas seguem desaparecidas, e equipes de emergência trabalham nos escombros.

Jornalista venezuelana em SP relata angústia

Paola Romero Cova, jornalista venezuelana que mora em Presidente Prudente (SP), contou ao g1 os momentos de desespero enquanto tentava contato com familiares na Venezuela. Ela perdeu contato com um primo que estava em uma das regiões mais atingidas e, por horas, a família não soube se ele estava vivo ou ferido.

“Tenho um primo que estava desaparecido, mas a gente já conversou com ele e ele está bem. Mas ele está bem afetado emocionalmente”, relatou Paola. Parte de sua família vive em uma cidade menos afetada, mas outros parentes estudam perto do epicentro e descreveram cenários de destruição e medo.

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“Foi muito feio. Muitas pessoas idosas não conseguiam sair, caíram muitas edificações e tem muita gente desaparecida. As pessoas estão até agora assustadas, por conta do que aconteceu e porque se esperam outras réplicas”, disse a jornalista.

Dificuldades de comunicação e infraestrutura precária

Paola também relatou dificuldades de comunicação após os tremores. O fornecimento de energia elétrica e os serviços de internet foram afetados em diversas localidades. “Caiu toda a rede elétrica e da internet. Eles falaram para mim que está muito tempo de chuva, que o clima está muito estranho. Ainda tem lugares onde não tem eletricidade, então a comunicação está bem difícil”, explicou.

Além dos danos causados pelos terremotos, a precariedade da infraestrutura no país dificulta os trabalhos de resgate. “Os centros de saúde não estão capacitados para o que aconteceu. O pessoal de resgate, a polícia, eu tenho certeza que estão fazendo o melhor que conseguem, mas não é mentira que tem muita falta de insumos e de pessoal capacitado para isso. Então deixa a situação pior”, expressou.

Sentimento de impotência

Mesmo vivendo no Brasil, Paola acompanha com preocupação as notícias da Venezuela e diz sentir impotência. “Muita impotência. É um país que já passou por tantas coisas, somos pessoas que já vivemos tempos bem difíceis, tristes, e quando você sente que até a natureza está tentando falar alguma coisa para nós, é difícil”, concluiu.

Detalhes dos terremotos

O epicentro do terremoto principal foi localizado próximo à cidade de El Guayabo, a cerca de 160 quilômetros de Caracas. Pelo menos 20 réplicas foram registradas nas horas seguintes, segundo o governo venezuelano. Mais de 500 equipes de emergência estão trabalhando para resgatar sobreviventes. O Itamaraty informou que não há notícias de brasileiros entre as vítimas.

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