O anúncio de novas tarifas comerciais pelos Estados Unidos desencadeou uma intensa batalha digital nas redes sociais brasileiras, opondo lulistas e bolsonaristas em uma guerra de narrativas sobre a responsabilidade pela crise econômica iminente. Cada grupo utiliza a medida para atacar o adversário político, enquanto tenta minimizar os impactos para seus próprios apoiadores.
Lulistas atribuem culpa a Bolsonaro
Nas últimas 48 horas, perfis alinhados ao governo Lula passaram a disseminar a tese de que as tarifas são consequência direta da política externa de Jair Bolsonaro durante seu mandato. Segundo publicações, o ex-presidente teria alienado aliados internacionais e fragilizado a posição do Brasil em negociações comerciais. Um tuíte do deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) afirmou: "A herança maldita de Bolsonaro nas relações exteriores está cobrando seu preço. O Brasil colhe agora o que foi plantado pelo capitão."
Bolsonaristas apontam incompetência de Lula
Por outro lado, apoiadores de Bolsonaro argumentam que a atual administração não soube conduzir a diplomacia econômica. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) publicou um vídeo no qual diz: "Lula está repetindo os erros do passado, isolando o Brasil e provocando retaliações. O tarifaço é fruto da incompetência do PT." A hashtag #TarifaçodeLula chegou a ficar entre os trending topics do X (antigo Twitter) na manhã desta quarta-feira.
Disputa por narrativa domina debates
Especialistas apontam que a polarização política impede uma análise objetiva dos fatos. O cientista político Carlos Melo, do Insper, avalia: "Ambos os lados estão usando a crise para se beneficiar eleitoralmente, mas a complexidade do comércio internacional não se resume a um único governo. As tarifas são resultado de fatores globais e decisões multilaterais."
Dados do Monitor de Disputas Comerciais mostram que o Brasil é um dos países mais afetados pelas novas barreiras, com exportações estimadas em US$ 15 bilhões sob risco. No entanto, a discussão nas redes raramente aborda os números concretos, focando mais em ataques pessoais.
Impacto nas negociações bilaterais
Enquanto a guerra digital se intensifica, o Ministério das Relações Exteriores tenta costurar um acordo com Washington. O chanceler Mauro Vieira declarou que "o Brasil está aberto ao diálogo e buscará uma solução negociada". Apesar disso, a pressão nas redes sociais dificulta a construção de um consenso interno sobre a melhor estratégia.
A batalha digital deve se intensificar nas próximas semanas, à medida que novos desdobramentos da política tarifária americana surgirem. Para os brasileiros comuns, o tarifaço representa não apenas uma disputa política, mas uma ameaça real ao emprego e ao custo de vida.



