A imposição de uma tarifa de 25% pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros gerou um debate acirrado e equilibrado nas redes sociais, com direita e esquerda dividindo espaço de forma quase igual. De acordo com um levantamento do Instituto Democracia em Xeque, 34% das publicações sobre o tema vieram de perfis de direita, 34% de esquerda e 32% da imprensa tradicional. O estudo revela que o assunto mobilizou ambos os espectros políticos, com discursos politizados representando 58% do alcance total nas plataformas.
Direita culpa Lula pelo tarifaço
Nas postagens de direita, a narrativa predominante é a de que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva é o responsável pela taxação imposta pelo governo de Donald Trump. Críticas apontam para a política externa brasileira e a aproximação com países como China e Rússia como fatores que teriam motivado a retaliação americana. Segundo o instituto, esse discurso tem forte apelo entre os seguidores de figuras como Jair Bolsonaro e seus aliados.
Esquerda defende soberania nacional
Já a esquerda reage com ênfase na defesa da soberania nacional, criticando tanto Trump quanto Bolsonaro. As publicações desse campo político argumentam que a tarifa é uma medida protecionista dos EUA e que o Brasil deve responder com firmeza, sem ceder a pressões externas. O levantamento aponta que a esquerda conseguiu amplificar sua mensagem, alcançando um público significativo nas redes.
Imprensa e equilíbrio de vozes
A imprensa tradicional, com 32% das publicações, atuou como um contraponto, trazendo análises e contextualizações sobre o impacto econômico da tarifa. O instituto Democracia em Xeque destaca que, embora o debate tenha sido polarizado, a presença de diferentes vozes evitou que um único lado dominasse a conversa. “É um raro momento de equilíbrio entre direita e esquerda nas redes sociais”, afirmou o instituto em nota.
Alcance e engajamento
O estudo também mediu o alcance das postagens: 58% do total veio de conteúdos politizados, enquanto 42% foram de perfis não identificados ou neutros. Isso indica que o tema mobilizou principalmente usuários engajados politicamente, com forte circulação de memes, vídeos e textos opinativos. A tarifa de 25% foi anunciada pelo governo Trump como resposta a supostas barreiras comerciais brasileiras, gerando reações imediatas nas redes.



