O presidente da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional do Senado, senador Renan Calheiros (MDB-AL), defendeu que o Brasil não aplique a Lei da Reciprocidade contra os Estados Unidos. A declaração foi dada nesta quarta-feira (16) durante audiência pública sobre as relações comerciais entre os dois países.
Lei da Reciprocidade e seus efeitos
A Lei da Reciprocidade, sancionada em 2024, permite ao Brasil adotar medidas retaliatórias contra países que imponham barreiras comerciais a produtos brasileiros. No entanto, Calheiros argumentou que, no caso dos EUA, uma retaliação poderia prejudicar setores estratégicos da economia nacional. “Não podemos agir com precipitação. A relação com os Estados Unidos é complexa e envolve interesses que vão além do comércio”, afirmou o senador.
Impactos econômicos e diplomáticos
Segundo dados do Ministério da Economia, os EUA são o segundo maior parceiro comercial do Brasil, com fluxo bilateral de US$ 75 bilhões em 2025. A aplicação da lei poderia elevar tarifas sobre produtos americanos, como máquinas e equipamentos, afetando diretamente a indústria brasileira. “Precisamos de diálogo, não de conflito. A via diplomática é a mais adequada para resolver as divergências”, completou Calheiros.
O senador também destacou que a medida poderia gerar instabilidade no mercado cambial e prejudicar investimentos. “Uma guerra comercial não interessa a ninguém. O Brasil deve buscar soluções negociadas no âmbito da OMC”, disse.
Posição do governo e próximos passos
O governo brasileiro ainda não se manifestou oficialmente sobre a aplicação da lei. No entanto, o Itamaraty já iniciou conversas com representantes do governo Trump para tratar de questões como as tarifas sobre o aço brasileiro. A expectativa é que um acordo seja fechado nos próximos meses, evitando a necessidade de retaliação.
Calheiros concluiu defendendo a modernização da legislação comercial brasileira para torná-la mais competitiva, mas sem medidas unilaterais que possam isolar o país. “O caminho é o da integração e do fortalecimento dos laços com nossos parceiros históricos”, finalizou.



