O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, declarou nesta quarta-feira (16) que o governo americano redirecionará suas operações de contraterrorismo para focar em grupos radicais de esquerda, como o Cartel de Sinaloa e gangues venezuelanas. A mudança de estratégia foi anunciada durante uma audiência no Comitê de Relações Exteriores do Senado, onde Rubio detalhou a nova abordagem da administração Trump.
Novo foco do contraterrorismo
Segundo Rubio, a revisão da política de contraterrorismo ocorre porque "o maior perigo hoje não vem da Al-Qaeda ou do Estado Islâmico, mas de organizações criminosas que operam como verdadeiros exércitos privados". O secretário citou especificamente o Cartel de Sinaloa, o Cartel Jalisco Nueva Generación e a gangue venezuelana Tren de Aragua como alvos prioritários.
"Esses grupos não apenas traficam drogas e pessoas, mas também controlam territórios, corrompem governos e representam uma ameaça direta à segurança nacional dos EUA", afirmou Rubio. A declaração marca uma ruptura com a abordagem das últimas duas décadas, que concentrava esforços em grupos jihadistas.
Críticas a governos anteriores
O secretário também criticou as administrações anteriores por não tratarem os cartéis como organizações terroristas. "Durante anos, classificamos esses grupos como meras organizações criminosas, o que limitou nossas ferramentas de combate. Agora, vamos usar todos os recursos legais disponíveis para desmantelá-los", disse.
Rubio destacou que o Departamento de Estado já iniciou o processo de designar formalmente os cartéis mexicanos e as gangues venezuelanas como organizações terroristas estrangeiras. A medida permitirá sanções econômicas mais amplas, congelamento de ativos e ações militares diretas.
Impacto na América Latina
A declaração de Rubio ocorre em meio a tensões com o México, que rejeita a classificação de cartéis como terroristas. O governo mexicano argumenta que a medida viola sua soberania. No entanto, Rubio afirmou que os EUA atuarão unilateralmente se necessário. "Nossa prioridade é proteger cidadãos americanos. Se o México não agir, nós agiremos", alertou.
Na Venezuela, a gangue Tren de Aragua já foi designada como organização terrorista pelo governo Trump em 2025, mas a nova política amplia o escopo para incluir todos os grupos armados aliados ao regime de Nicolás Maduro.
Reações e próximos passos
Especialistas em segurança apontam que a mudança pode levar a uma escalada militar na fronteira sul dos EUA. "Designar cartéis como terroristas abre caminho para operações encobertas e até bombardeios em solo estrangeiro. É uma guinada perigosa", avaliou John Smith, analista do Council on Foreign Relations.
O Congresso americano deve votar nos próximos meses uma resolução que formaliza a nova política. Enquanto isso, o FBI e a DEA já receberam ordens para priorizar investigações contra os grupos citados.



