A classe política baiana adotou uma postura incomum diante da operação da Polícia Federal que mirou o senador Jaques Wagner (PT-BA). Lideranças de partidos rivais, especialmente do grupo do ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União Brasil), decidiram não explorar publicamente o caso, mantendo o que vem sendo chamado de 'pacto de silêncio'. A estratégia visa evitar que o escândalo ganhe projeção nacional e contamine a disputa eleitoral no estado.
ACM Neto evita comentar operação
ACM Neto, principal nome da oposição na Bahia, afirmou que a questão 'cabe ao Judiciário' e que não vai transformar a investigação em palanque político. 'Não vou comentar operações em curso. Respeito o devido processo legal e não farei juízo de valor antes das investigações', declarou Neto a jornalistas. A decisão foi tomada em conjunto com aliados, que entendem que explorar o caso poderia gerar desgaste e desviar o foco das propostas.
João Roma critica postura de Wagner
Entretanto, nem todos os aliados de Neto seguem a mesma linha. O deputado federal João Roma (PL-BA), que também integra o grupo de oposição, fez críticas diretas a Wagner. 'A gravidade da investigação não pode ser ignorada. Wagner precisa dar explicações à sociedade', afirmou Roma. Apesar da divergência, Roma disse respeitar a posição de Neto e não pretende escalar o assunto.
Contexto da operação
A operação da Polícia Federal, deflagrada na última quinta-feira, investiga supostos desvios de recursos públicos em contratos de obras durante a gestão de Wagner como governador da Bahia (2007-2014). Wagner nega irregularidades e classifica a ação como 'perseguição política'. Até o momento, não há indiciamentos formais.
Impacto eleitoral
Analistas políticos apontam que o silêncio dos rivais pode ser uma estratégia para não fortalecer o discurso de vitimização de Wagner e do PT. 'Se a oposição atacar, Wagner pode se apresentar como perseguido e mobilizar sua base. Ficar em silêncio evita esse efeito', avalia o cientista político Jorge Almeida, da UFBA. Por outro lado, a abstenção pode ser vista como conivência ou falta de combatividade.
O senador Jaques Wagner, por sua vez, tem evitado comentar o silêncio dos adversários e se concentra em agendas no interior do estado. A expectativa é que o caso não tenha grande repercussão nas urnas, a menos que surjam novas evidências concretas.



