Peru: Keiko Fujimori e Roberto Sánchez disputam segundo turno acirrado
Peru: Keiko e Sánchez disputam segundo turno acirrado

O Peru volta às urnas neste domingo (7) para o segundo turno das eleições presidenciais. A conservadora Keiko Fujimori, filha do ex-presidente Alberto Fujimori, enfrenta o esquerdista Roberto Sánchez, ex-ministro de Pedro Castillo. As pesquisas apontam para um cenário indefinido, com margem apertada entre os candidatos.

Keiko Fujimori: a candidata da ordem e segurança

Keiko Fujimori, 51 anos, está na política desde a adolescência. Formada em administração de empresas nos Estados Unidos, foi eleita para o Congresso em 2006 com a maior votação já registrada para um parlamentar peruano. Esta é sua quarta tentativa de chegar à presidência, sempre chegando ao segundo turno.

Em campanhas anteriores, buscou se distanciar da imagem do pai, condenado por violações de direitos humanos. Agora, abraça políticas públicas adotadas durante o governo dele, que dividiu opiniões no Peru. Enquanto parte da população atribui ao ex-presidente a estabilidade dos anos 1990, críticos o consideram autoritário.

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Keiko promete medidas rígidas de segurança, leis antiterroristas mais duras e papel ampliado para os militares no combate ao crime. Ela afirma que travará uma "guerra frontal" contra a violência, que cresce no país. O discurso mais duro reduziu sua rejeição: segundo o Ipsos Peru, 40% dos eleitores não votariam nela, contra 59% no primeiro turno.

Além da segurança, Keiko propõe programas sociais para famílias pobres, incluindo pagamento de auxílio. Ela passou anos sob investigação por suposto financiamento irregular de campanha, mas o caso foi arquivado em 2025. Entre 2018 e 2020, ficou em prisão preventiva por quase um ano e meio.

Roberto Sánchez: o candidato do recomeço

Roberto Sánchez, 57 anos, foi quase uma zebra nas eleições. Com cerca de 7% das intenções de voto semanas antes do pleito, cresceu e avançou ao segundo turno com 12,03% dos votos, superando o terceiro colocado por 21 mil votos.

Criado em família indígena no sul do Peru, Sánchez teve educação modesta e cogitou ser padre. Atribui sua trajetória política ao trabalho social ligado à Igreja. Usa um chapéu de palha típico de camponeses de Cajamarca, mesmo acessório usado pelo ex-presidente Pedro Castillo, preso desde 2022. Sánchez o visita na prisão e promete indultá-lo se eleito, mas nega que devolverá o poder ao aliado.

Sua principal promessa é uma nova Constituição, para substituir a atual, criada no governo Fujimori. Defende maior supervisão estatal sobre recursos naturais, impostos sobre grandes fortunas e penas mais severas contra corrupção, incluindo proibição vitalícia de cargos públicos e reforma do Judiciário. Quer que as Forças Armadas apoiem a polícia no combate ao crime organizado.

Sánchez também se posiciona contra discriminação por orientação sexual, raça ou religião. Como católico, apoia o aborto apenas em casos de estupro ou risco à vida da gestante. É alvo de polêmicas: um promotor o acusou de declarações falsas e falsificação de contribuições de campanha, e o Ministério Público pediu sua prisão.

O primeiro turno já foi acirrado: o Peru demorou um mês para definir os finalistas, após contagem voto a voto. Agora, a expectativa é de nova disputa apertada, que definirá o futuro político do país.

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