O governo da Nicarágua anunciou nesta terça-feira o adiamento do plano que previa o fim das eleições no país, em uma reviravolta atribuída à forte pressão internacional. A decisão foi comunicada pelo ministro do Interior, Gustavo Marenco, em uma breve declaração à imprensa estatal.
Recuo após reações globais
Nas últimas semanas, a proposta de emenda constitucional que eliminaria o voto popular gerou condenação generalizada. Os Estados Unidos, a União Europeia e a Organização das Nações Unidas emitiram notas criticando a medida, que consideraram um golpe contra a democracia. De acordo com a Casa Branca, cerca de 40 países manifestaram solidariedade à oposição nicaraguense.
“A comunidade internacional deixou claro que não toleraria esse retrocesso”, afirmou a porta-voz do Departamento de Estado, Jen Psaki, em comunicado. A pressão incluiu ameaças de novas sanções econômicas e a possibilidade de expulsão da Nicarágua de organismos regionais.
Plano original e contexto
O plano, apresentado em junho pelo presidente Daniel Ortega, previa a dissolução do Conselho Supremo Eleitoral e a transferência do poder de nomeação de governantes para a Assembleia Nacional, controlada pelo partido governista. A proposta havia sido aprovada em primeira votação e gerou protestos nas ruas de Manágua.
Dados do Instituto Nicaragueno de Estatísticas indicam que 72% da população era contra a medida. A economia do país, já fragilizada, enfrentava risco de isolamento comercial. O adiamento foi visto como uma tentativa de evitar o colapso das negociações de crédito com o Fundo Monetário Internacional.
Reações internas e próximos passos
A oposição comemorou o recuo, mas demonstrou cautela. “É uma vitória da luta democrática, mas precisamos de garantias concretas de que as eleições serão mantidas”, disse a líder opositora María Isabel Jerez. O governo afirmou que a proposta será reavaliada em comissões nos próximos seis meses.
A União Europeia, em nota conjunta com a Organização dos Estados Americanos, destacou que manterá a vigilância sobre o processo nicaraguense. A expectativa é que Ortega busque um desgaste menor da sua imagem internacional, sem abrir mão do controle político.



