Os Estados Unidos anunciaram uma tarifa adicional de 12,5% sobre produtos brasileiros, alegando falhas no combate ao trabalho forçado. A medida, que eleva a alíquota total para 37,5% (somada à tarifa anterior), foi recebida com preocupação pela indústria nacional. O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Ricardo Alban, afirmou que a prioridade é manter negociações com o governo americano para reverter o tarifaço.
Reação da CNI e impacto nas exportações
Em nota divulgada nesta quarta-feira, a CNI classificou a decisão como “desproporcional” e destacou que o Brasil tem avançado no combate ao trabalho forçado. “Vamos continuar dialogando com as autoridades americanas para demonstrar os progressos e evitar que essa tarifa prejudique nossas exportações”, disse Alban. A entidade estima que a tarifa pode afetar setores como siderurgia, calçados e têxteis, que juntos representam cerca de US$ 5 bilhões em vendas aos EUA anualmente.
Fiemg cobra ação do governo federal
A Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) também se manifestou, pedindo que o governo brasileiro atue para mitigar os efeitos da tarifa. “É fundamental que o Itamaraty e o Ministério da Economia busquem exceções e regras claras para evitar danos aos empregos e à competitividade”, afirmou o presidente da Fiemg, Flávio Roscoe. A entidade mineira representa um dos estados mais afetados, com exportações de aço e minério para os EUA.
Contexto da tarifa
A nova alíquota foi imposta com base na Seção 307 da Lei Tarifária dos EUA, que permite sanções a países que permitem trabalho forçado em suas cadeias produtivas. O Brasil já havia sido alvo de investigações semelhantes em 2024, mas esta é a primeira vez que uma tarifa é efetivamente aplicada. A CNI argumenta que o país possui legislação rigorosa contra o trabalho escravo e que a medida ignora os esforços do governo e do setor privado.
Impactos econômicos e próximos passos
Analistas apontam que a tarifa de 12,5% pode reduzir as exportações brasileiras para os EUA em até 15% nos próximos meses. A CNI planeja enviar uma comitiva a Washington nas próximas semanas para apresentar dados e buscar um acordo. Enquanto isso, a Fiemg e outras federações estaduais articulam com congressistas americanos para sensibilizar sobre os impactos negativos da medida. “A indústria brasileira está unida para reverter essa situação”, concluiu Alban.



