O Vitória encerrou o primeiro turno do Brasileirão 2026 sem vencer como visitante, mas ao menos garantiu um empate por 0 a 0 com o Botafogo, no Estádio Nilton Santos, após sofrer forte pressão do adversário. A partida, válida pela 4ª rodada e realizada em atraso, foi marcada pela atuação heroica do goleiro Lucas Arcanjo, que fez ao menos seis defesas, duas delas de extrema dificuldade, e foi o grande destaque da noite.
Atuação de Lucas Arcanjo garante ponto importante
O time baiano chegou aos 26 pontos na competição e fechou o turno na 11ª colocação graças à performance do goleiro. "O Botafogo teve muito mérito no segundo tempo, construiu bastante, mas hoje temos um dos melhores goleiros do Brasil. Arcanjo fez grandes defesas e nos garantiu esse ponto", afirmou o técnico Jair Ventura em entrevista coletiva.
O treinador também destacou a ausência do atacante Zé Vitor, que saiu com cãibras: "É nosso melhor cabeceador, nem adianta tentar esconder isso. Sem ele em campo perdemos a primeira bola. Quando você perde esse cara, você automaticamente perde mais a primeira bola. A gente não conseguiu reter tanto a bola como no primeiro tempo. Ele saiu com câimbras, se desgastou muito".
Segundo tempo de pressão do Botafogo
Após um primeiro tempo equilibrado, o Vitória caiu de rendimento na etapa final. "A ideia era repetir o primeiro tempo. Meu objetivo hoje era ficar mais com a bola, mas você tem que combinar com Danilo, com Montoro. A gente não conseguiu ter a bola. Não foi que a gente deu a bola, foi que a gente não conseguiu ter ela. Mas a estratégia era a mesma do primeiro tempo, só que a gente não conseguiu. Não tem cobrança agora, a cobrança é feita só entre eu e meus atletas. Ali o couro come. Eu queria repetir o primeiro tempo, mas não consegui repetir. O Botafogo foi superior no segundo tempo, no futebol é assim", explicou Jair Ventura.
O treinador considerou o ponto conquistado como importante para as ambições do clube: "Adversário direto, jogando fora, foi um ponto importante. A gente quer ganhar fora, mas se continuar assim, vai para a Libertadores. Se ganhar em casa e empatar fora, a gente vai para a Libertadores". Ele também comentou sobre a posição na tabela: "O adversário em casa, pressionando, precisava vencer porque era um confronto direto. Eles tiveram uma postura diferente no segundo tempo. Depois de um primeiro tempo equilibrado, não conseguimos manter no segundo tempo. Mas o ponto na tabela é importante, ganhamos uma posição e ficamos a seis pontos do G-4".
Próximo desafio e análise do gramado sintético
O Vitória volta a campo no próximo domingo, às 19h30 (horário de Brasília), pela 20ª rodada do Brasileirão, novamente fora de casa, contra o Remo. Jair Ventura também comentou sobre as dificuldades de jogar em gramado sintético: "É um jogo diferente, mas não adianta reclamar de todo jogo em gramado sintético. Nosso adversário da Copa do Brasil é o gramado sintético, tem outras equipes, Chapecoense, Galo. É válido. Trabalhei aqui dez anos e sei da dificuldade do sol bater, foi uma alternativa. É claro que muda, o jogador escorrega, demora um pouco para se adaptar, mas faz parte do jogo".
Sobre o momento pessoal e a carreira, o técnico disse: "Difícil falar de você mesmo, mas hoje voltando ao clube que me formou. Cheguei como estagiário, fiquei dez anos, fiz 99 jogos como treinador da equipe principal. Hoje volto para um jogo de Série A com o mesmo número de pontos dessa equipe gigante. A sensação é de resiliência. Nessa profissão quando você perde tentam te jogar lá para baixo, quando você ganha te jogam para cima. Mas esse sou eu, fui campeão agora e não mudei nada. Estou feliz demais pelo título, pelo que fizemos contra o Flamengo na Copa do Brasil, e a gente segue, temos o Athletico pela frente na Copa do Brasil, temos o Remo no Brasileiro. Seguimos e vamos tentar ganhar logo fora de casa para mudar essa pergunta. A gente quer muito, mas é difícil. Somos o terceiro melhor mandante, acho que 88% de aproveitamento em casa. A gente sai com um ponto importante, estamos em uma melhora".
Ventura também explicou as mudanças na equipe: "Coloquei um ala, o Mateus é um ala, porque o Erick cansou. A gente precisava de energia para atacar, sofremos muito com dobra de laterais. A ideia era ter a perna boa dos dois lados para tentar alguns cruzamentos". Sobre Caíque Gonçalves: "Fiquei feliz. Martínez saiu por causa do cartão amarelo. O Caíque é nosso cinco, a gente estava com três oitos praticamente. Perdemos um pouco de mobilidade, mas ganhamos um cara mais posicional".
Por fim, o treinador analisou os jogos fora de casa: "A gente bateu na trave em alguns jogos, o Fluminense foi o mais próximo. Hoje o segundo tempo foi do Botafogo. Contra a Chape tivemos um jogador a menos. Espero virar essa chave, temos que ganhar para mudar isso".



