Girão critica direita por aliança com Ciro Gomes no Ceará
Girão critica direita por aliança com Ciro no Ceará

O senador Eduardo Girão (Novo), pré-candidato ao governo do Ceará, voltou a criticar a aliança da direita do estado com o ex-ministro Ciro Gomes (PSDB), que será seu adversário na disputa pelo Palácio da Abolição. Segundo o parlamentar, Ciro é um representante da 'esquerda raiz' e pode trair o campo político nas próximas eleições. As declarações foram feitas durante o Encontro Nacional do Partido Novo, neste sábado (18), em São Paulo.

Declarações de Girão

'Tem turma que se diz de direita, que se diz conservadora, e está apoiando alguém, é até vergonhoso dizer isso, que vai ser uma cobra para nos picar em 2030. Todo mundo sabe no Ceará que o Ciro Gomes, que é a esquerda raiz, tem projeto de Brasil. Por isso que a eleição do Ceará é muito importante', disse Girão.

Além da declaração, o senador também pediu 'o apoio e as orações' dos apoiadores para fazer uma forte 'resistência' no Ceará. Ele é o nome apoiado pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, que esteve no lançamento de sua pré-candidatura ainda no ano passado.

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Repercussão nacional

Nas últimas semanas, a composição política do PL no estado voltou a ganhar repercussão nacional após Michelle publicar um vídeo em que alega ter sido 'desrespeitada' e 'maltratada' por Flávio Bolsonaro. Segundo ela, o motivo foi sua discordância em relação às articulações do enteado no Ceará para apoiar Ciro.

No mês passado, Girão já havia criticado o apoio do partido ao seu adversário: 'A verdadeira direita, com todo respeito, não pode estar nessa outra aliança. Inclusive, eu acredito que isso mostra uma incoerência muito grande', afirmou o senador, em entrevista ao Diário do Nordeste, no dia 18 de junho. 'O PL deveria estar do lado de cá, vamos combinar, porque, inclusive, lá no Congresso Nacional, a gente faz o trabalho juntos, o Novo e o PL, as votações são muito próximas. Nosso partido tem sido ferrenho, 100% oposição ao PT. Quem é oposição somos nós, não temos ninguém que foi ministro de Dilma, de Lula', completou.

Posição do PL

Em maio, o deputado federal André Fernandes, que preside o núcleo local do PL, anunciou o apoio a Ciro afirmando que 'toda ajuda é bem-vinda' para derrotar a gestão do PT. Para justificar a decisão, o parlamentar lembrou que já trocou críticas recíprocas com o tucano, mas ponderou que as diferenças 'sempre irão existir'. A primeira manifestação pública de Michelle contra a aliança ocorreu justamente durante o lançamento da pré-candidatura de Girão ao governo do estado. Àquela altura, André justificava ter tido o aval do ex-presidente Jair Bolsonaro para buscar a composição com Ciro.

A ex-primeira-dama também compartilhou um vídeo em que Ciro defende que o ex-presidente era um homem 'quase doente' e 'burro', com capacidade intelectual 'curta'. Para Fernandes, no entanto, a nova composição política significa a 'coragem de agir' em nome dos cearenses.

Atrito entre Michelle e Flávio

No vídeo divulgado por Michelle em junho — que aumentou o desgaste em torno da pré-campanha de Flávio —, Michelle disse que, após se posicionar contra a aliança com Ciro, Flávio a tratou com rispidez ao telefone e afirmou que ela deveria ficar fora das decisões partidárias por 'não entender de política'.

'Ele foi muito ríspido, me desrespeitou e me maltratou no telefone. Disse que seria melhor eu ficar fora das decisões do partido. Disse que eu havia chegado ontem e não entendia nada de política', afirmou.

Em outra parte do vídeo, Michelle detalha o atrito que teve com Flávio após se posicionar contra uma aliança entre o PL e Ciro Gomes no Ceará. A ex-primeira-dama afirma que ficou surpresa ao ver publicações do senador em defesa da articulação e diz que ele e os irmãos, Carlos e Eduardo Bolsonaro, fizeram ataques 'de forma coordenada', sem antes procurá-la para conversar.

'Vi as postagens do Flávio contra mim nas redes sociais. Palavras duras, tom agressivo, defendendo o André Fernandes e, em consequência, apoiando a aliança com o homem que chamou a ele, a mãe e seus irmãos de corruptos e de ovos de serpentes nazistóides. E não foi só ele. Os irmãos vieram juntos, de forma coordenada, com textos bem parecidos uns com os outros. Pareceu combinado, premeditado', afirmou.

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Reação dos irmãos Bolsonaro

Em dezembro do ano passado, Flávio foi o primeiro a criticar publicamente Michelle pelas discordâncias em relação à articulação conduzida por Fernandes no Ceará. Na ocasião, o pré-candidato à Presidência chamou a madrasta de 'autoritária'.

Nas redes sociais, o ex-vereador Carlos Bolsonaro (PL-SC) disse que a aproximação com Ciro foi feita com aval do ex-presidente Jair Bolsonaro: 'temos que estar unidos e respeitando a liderança do meu pai, sem deixar nos levar por outras forças'.

O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL) repetiu os irmãos: 'meu irmão Flávio está correto. Foi injusto e desrespeitoso com o André o que foi feito no evento. Não vou entrar no mérito de ser um bom ou mal acordo; foi uma posição definida pelo meu pai'.