O governo dos Estados Unidos oficializou a imposição de uma sobretaxa de 25% sobre uma ampla gama de produtos brasileiros a partir de 22 de julho. A decisão decorre de uma investigação conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR) sobre supostas "práticas desleais" da economia brasileira, incluindo desmatamento, proteção de propriedade intelectual, tratamento às big techs e até o sistema de pagamentos PIX.
Reações do governo brasileiro
O Palácio do Planalto classificou a medida como um marco "lastimável" na relação bilateral e ameaçou acionar a Lei de Reciprocidade, que permite ao Brasil retaliações comerciais proporcionais. Em nota, o governo brasileiro afirmou que a decisão dos EUA é "ideológica" e que a equipe de Donald Trump agiu de "má-fé". O vice-presidente Geraldo Alckmin contestou as alegações americanas, chamando a tarifa de "injusta e descabida". O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, disse que as novas tarifas "não têm justificativa e lastro com a realidade", apontando motivação política.
Críticas de Marco Rubio
O secretário de Estado Marco Rubio criticou publicamente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, afirmando que faltou "boa-fé" ao governo brasileiro nas negociações. A declaração acirrou o tom diplomático entre os dois países.
Análise de especialistas
No podcast O Assunto, o embaixador Roberto Azevêdo, ex-diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC) e presidente da 9G Consultoria, analisou os bastidores das negociações entre agentes brasileiros e americanos. Ele destacou que as regras do comércio internacional estão cada vez mais baseadas na força econômica. Bruna Santos, diretora do Programa Brasil do Inter-American Dialogue em Washington, comentou a deterioração das relações diplomáticas entre Brasil e EUA, alertando para os impactos de longo prazo.
Impactos e repercussão
A medida deve afetar cerca de 50 produtos brasileiros entre os mais exportados para os EUA. Segundo pesquisa Quaest, o tarifaço pesa mais contra o ex-presidente Jair Bolsonaro do que contra Lula, em termos de opinião pública. Pré-candidatos à Presidência reagiram, classificando a ação como "golpe comercial às vésperas da campanha eleitoral". A imprensa mundial repercutiu a decisão, destacando o impacto nas relações comerciais globais.
O podcast O Assunto, produzido pelo g1, soma mais de 168 milhões de downloads e 14,2 milhões de visualizações no YouTube desde sua estreia em agosto de 2019.



