Em sua última entrevista coletiva como treinador da seleção francesa, Didier Deschamps recebeu uma homenagem emocionante da imprensa esportiva. O momento ocorreu neste sábado, no estádio de Miami, nos Estados Unidos, após a derrota por 6 a 4 para a Inglaterra na disputa pelo terceiro lugar da Copa do Mundo de 2026.
Homenagem e aplausos dos jornalistas
No espaço reservado à última pergunta, um jornalista representante da imprensa esportiva francesa fez um discurso de agradecimento a Deschamps, que deixa o comando da seleção após 14 anos. "Gostaríamos de agradecer profundamente pela forma como o senhor se relacionou com a mídia tradicional em um mundo em constante transformação", iniciou o jornalista. "O senhor abriu regularmente as portas para a imprensa, tratou todos de forma igual e sempre escolheu colocar a seleção francesa em primeiro lugar. Obrigado pela sua postura, pela sua atitude e pela maneira como construiu essa relação profissional conosco ao longo desses 14 anos." Após o discurso, os jornalistas presentes aplaudiram o treinador por alguns segundos.
Mensagem final de Deschamps
Apesar de não ter sido feita nenhuma pergunta, Deschamps fez questão de deixar uma mensagem final, pregando respeito na relação com a imprensa. "Por favor, não se esqueçam do respeito. Nem sempre vamos concordar. Podemos divergir. A crítica faz parte da vida, mas, desde que seja feita com respeito, tudo bem. Respeito é algo que se tem ou não se tem. Por isso, desejo a vocês o melhor. E, como o melhor pertence ao futuro, o melhor ainda está por vir. Muito obrigado."
Trajetória de 14 anos à frente da seleção
Deschamps assumiu o comando da seleção em 2012 e estreou em Copas na edição de 2014, no Brasil, quando a França caiu nas quartas de final para a Alemanha. Depois vieram o título na Rússia, em 2018, com vitória sobre a Croácia, e o vice no Catar, em 2022, com derrota para a Argentina. Em 2026, na América do Norte, Deschamps levou a seleção ao quarto lugar. Foram 186 partidas como técnico da França, com 120 vitórias, 35 empates e 31 derrotas.
"É o fim de uma jornada. Uma jornada que representou o período mais bonito da minha vida. Quando comecei, em 2012, alguns de vocês já estavam aqui. E eu sempre coloquei a seleção francesa em primeiro lugar. Foi isso que eu disse desde o início: você pode trabalhar nos melhores clubes do mundo, mas não existe nada acima desta seleção", afirmou Deschamps, emocionado. "Tenho um orgulho enorme, junto com a minha comissão técnica, por termos permanecido tanto tempo no comando. Talvez até tempo demais, como alguns diriam. Vivemos momentos extraordinários. Conseguimos fazer esta seleção francesa crescer. Talvez isso não tenha acontecido imediatamente, mas alguns jogadores disputaram uma Copa do Mundo pela primeira vez. Espero que a seleção francesa alcance um novo patamar, continue entre as melhores do mundo e viva novos momentos de sucesso."
Análise da derrota para a Inglaterra
A derrota por 6 a 4 para a Inglaterra, em um jogo de dez gols, também motivou questionamentos da imprensa. A França levou quatro gols no primeiro tempo e, após quatro substituições no intervalo, melhorou na segunda etapa, chegando a encostar no placar, mas não conseguiu a vitória. "Fizemos um primeiro tempo terrível. Criamos uma ou outra oportunidade. Fiquei bravo no intervalo. Obviamente, acabamos derrotados, mas a imagem que mostramos no segundo tempo refletiu muito mais o desempenho da seleção francesa: jogando, criando oportunidades, marcando gols, com Kylian sendo o artilheiro da equipe", disse Deschamps.
O técnico criticou o comportamento de alguns jogadores no primeiro tempo, em que optou por uma escalação com modificações. "Alguns jogadores tiveram muito pouco tempo de jogo, ou sequer haviam atuado, então era realmente difícil que estivessem no melhor nível de uma hora para outra. Mas, diante de uma partida tão complicada, eu jamais imaginava que aconteceria dessa forma. Precisamos encontrar explicações, mas conseguir explicar tudo de A a Z... Neste caso, simplesmente não há uma resposta para tudo. Eu poderia ter trocado oito jogadores no intervalo. Fiz muitas substituições e, depois disso, fiquei com pouquíssimas opções. Foi positivo ver que a equipe conseguiu reagir e esteve muito perto de um desfecho melhor."



