O advogado e empresário Abelardo de la Espriella foi eleito presidente da Colômbia neste domingo (22), derrotando o senador de esquerda Iván Cepeda. Apesar de a apuração ter sido concluída e o candidato já ter celebrado a vitória, o resultado ainda precisa ser formalmente validado pela autoridade eleitoral colombiana antes da proclamação definitiva do novo presidente.
Mudança de rumo na política colombiana
A vitória representa uma mudança de rumo na política colombiana após o mandato de Gustavo Petro, primeiro presidente de esquerda da história do país. Durante a campanha, De la Espriella concentrou seu discurso em temas como segurança pública, combate ao crime organizado, redução do tamanho do Estado e estímulo à atividade econômica privada.
Aos 47 anos, Abelardo de la Espriella chega à Presidência sem nunca ter ocupado cargo eletivo. Nascido em Bogotá, em 1978, ele construiu sua carreira como advogado criminalista e empresarial, tornando-se uma figura conhecida na mídia colombiana por atuar em processos de grande repercussão.
Carreira e negócios
Ele fundou a De La Espriella Lawyers Enterprise, escritório que ganhou projeção nacional ao representar empresários, políticos e personagens envolvidos em casos de corrupção, lavagem de dinheiro e disputas empresariais. Entre seus clientes mais conhecidos esteve Alex Saab, empresário acusado pelos Estados Unidos de atuar como operador financeiro do governo venezuelano de Nicolás Maduro.
Além da advocacia, o presidente eleito desenvolveu negócios em diferentes setores. Seu grupo empresarial reúne investimentos em imóveis, bebidas, vestuário e entretenimento. Casado com Ana Lucía Pineda Aruachan e pai de quatro filhos, também mantém atividade artística como cantor de vallenato, gênero musical tradicional da Colômbia.
Postura antissistema e propostas de segurança
Conhecido pelo apelido de “El Tigre”, De la Espriella adotou uma postura de confronto contra a classe política tradicional. Ao longo da campanha, apresentou-se como um candidato antissistema e prometeu combater organizações criminosas com medidas inspiradas nas políticas de segurança implementadas pelo presidente salvadorenho Nayib Bukele.
Entre as propostas defendidas estão a construção de megapresídios, o fortalecimento das Forças Armadas, o endurecimento das penas para integrantes de grupos armados e uma ofensiva contra o narcotráfico. Em um dos momentos mais comentados da campanha, afirmou que seu governo não priorizaria negociações de paz com organizações criminosas.
Propostas econômicas e alinhamento internacional
Na área econômica, prometeu reduzir impostos corporativos, ampliar a exploração de petróleo e gás, cortar gastos públicos e diminuir em até 40% a estrutura administrativa do Estado. Segundo ele, essas medidas seriam necessárias para recuperar a competitividade da economia colombiana.
De la Espriella também cultivou proximidade com lideranças conservadoras internacionais. Naturalizado cidadão dos Estados Unidos e da Itália, viveu parte da vida em Miami e manifestou admiração por Donald Trump. Durante a campanha, recebeu apoio público de setores ligados ao ex-presidente colombiano Álvaro Uribe, principal referência da direita no país.
Símbolos de campanha e posse
Outro símbolo marcante de sua candidatura foi o uso frequente da camisa da seleção colombiana em eventos e peças de campanha. O uniforme acabou incorporado à identidade visual de seus apoiadores, assim como o gesto de continência que costuma fazer ao encerrar discursos com o slogan “Firme pela pátria”.
Caso a vitória seja confirmada oficialmente pela Justiça Eleitoral colombiana, Abelardo de la Espriella assumirá a Presidência em 7 de agosto e comandará o país entre 2026 e 2030.



