Abelardo De La Espriella vence eleição na Colômbia por margem apertada
De La Espriella vence eleição na Colômbia por margem apertada

O candidato de direita colombiano Abelardo De La Espriella conquistou uma vitória apertada nas eleições presidenciais de domingo, segundo contagem preliminar dos votos. Com o apoio declarado de Donald Trump, sua plataforma de combate ao crime e fortalecimento da economia atraiu os eleitores, mas a margem estreita levanta dúvidas sobre a governabilidade.

Resultado das urnas

De La Espriella obteve 49,66% dos votos, enquanto seu rival, o senador Iván Cepeda, ficou com 48,70%, diferença de cerca de 251 mil votos (0,94 ponto percentual), de acordo com a apuração do Registro Civil Nacional, com quase 100% das urnas apuradas no segundo turno.

Reação dos mercados

Com a vitória preparando o terreno para políticas favoráveis ao mercado, os mercados reagiram positivamente no curto prazo. O Global X MSCI Colombia ETF subiu 2,11%, a US$ 44,99, por volta das 11h10 (horário de Brasília). No entanto, o Bradesco BBI alerta que o alívio inicial pode não se sustentar.

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Para o Bradesco BBI, a vitória apertada traz alívio inicial, mas não é suficiente para destravar uma valorização consistente das ações. Segundo relatório do banco, a margem de 0,94 ponto percentual evidencia um mandato mais frágil do que o esperado após sua forte performance no primeiro turno. Apesar disso, o resultado confirma a consolidação do voto anti-governo anterior e posiciona a Colômbia dentro de uma guinada à direita na América Latina, acompanhando Argentina, Chile e Peru.

Perspectivas econômicas

O Bradesco BBI traça dois cenários para a economia colombiana. No cenário-base, o crescimento deve permanecer moderado, entre 2,5% e 2,7% em 2026, com inflação ainda elevada, próxima de 6%. O espaço fiscal limitado — déficit em torno de 5,3% do PIB — e a dinâmica política fragmentada devem dificultar avanços estruturais. No cenário mais otimista, melhorias na execução, reformas e condições externas favoráveis, como preços mais altos do petróleo, poderiam elevar o crescimento para perto de 3% e acelerar a convergência da inflação para cerca de 4% até o fim de 2027.

O banco vê pouca assimetria positiva para a renda variável. O MSCI Colômbia e o COLCAP negociam a cerca de 9,6 vezes o lucro projetado (P/L forward), bem acima do fundo de aproximadamente 4 vezes observado em 2022. Com isso, o banco projeta um cenário-base com potencial de queda de cerca de 14% para as ações, enquanto o ganho esperado é limitado a aproximadamente 6% — podendo chegar a perdas superiores a 30% em um cenário adverso. “A relação risco-retorno segue pouco atrativa”, resume o relatório.

Análise de outros bancos

O economista Diego Pereira, do JPMorgan Chase & Co., escreveu em nota: “Uma vitória por um ponto percentual ainda é uma vitória, mas uma margem tão apertada remodela tanto o mandato quanto a política de implementação em todas as frentes. Consideramos a governabilidade, e não a direção das políticas, a principal fonte de incerteza daqui para frente.”

A Credicorp estima que o mercado de ações poderá subir 5% nos primeiros dias após a votação, com potencial de alta de até 20% a longo prazo. Os rendimentos da dívida local deverão cair entre 150 e 200 pontos base nos próximos meses, enquanto a moeda deverá se valorizar. No entanto, analistas alertam que a margem apertada levanta dúvidas sobre possíveis protestos e a governabilidade, limitando o potencial de valorização dos ativos colombianos.

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