O presidente eleito da Colômbia, Abelardo de la Espriella, anunciou que romperá relações diplomáticas com Cuba e Nicarágua assim que assumir o cargo, em 7 de agosto. A medida faz parte de uma ampla reformulação da política externa prometida pelo líder de direita, que também pretende restabelecer os laços com Israel e reduzir a estrutura diplomática colombiana no exterior.
Rompimento com Cuba e Nicarágua
"No meu governo, não haverá laços com tiranias", escreveu Espriella em publicação nas redes sociais ao detalhar as primeiras decisões de sua gestão. A declaração direciona-se diretamente aos governos de Cuba e Nicarágua, que o presidente eleito considera regimes autoritários. O rompimento com Havana encerra décadas de relações diplomáticas entre os dois países, que haviam sido mantidas mesmo durante períodos de tensão ideológica.
Com relação à Nicarágua, a decisão foi motivada pelo recente anúncio do presidente Daniel Ortega de que o país deixará de realizar eleições, eliminando a possibilidade de alternância de poder ao fim de seu mandato, previsto para 2027. Ortega, no poder desde 2007 — após um primeiro período na Presidência na década de 1980 —, afirmou que a mudança impedirá o retorno da oposição ao governo, sem detalhar como a medida será implementada. Espriella classificou a manobra como um "golpe contra a democracia" e justificou o rompimento como uma resposta a esse endurecimento do regime.
Mudança na política para Israel
Além do rompimento com Havana e Manágua, o presidente eleito informou que fechará 15 consulados e 14 embaixadas. Ao mesmo tempo, afirmou que abrirá uma embaixada em Jerusalém, revertendo uma das principais mudanças promovidas pelo atual governo de Gustavo Petro. A aproximação com Israel representa uma das diferenças mais marcantes entre a futura administração e o governo de Petro.
Em 2024, Petro rompeu relações diplomáticas com Israel em protesto contra a ofensiva militar na Faixa de Gaza. A decisão encerrou uma parceria histórica entre os dois países, especialmente na área de segurança. Espriella já afirmou que pretende restabelecer essa relação no primeiro dia de mandato e instalar a representação diplomática colombiana em Jerusalém. A localização de embaixadas em Israel é um dos temas mais sensíveis da diplomacia internacional: Israel considera Jerusalém sua capital e concentra na cidade a sede do governo, do Parlamento e da Suprema Corte, enquanto os palestinos reivindicam Jerusalém Oriental como capital de um futuro Estado palestino.
Redução da estrutura diplomática
A reestruturação inclui o fechamento de 15 consulados e 14 embaixadas, o que representa uma redução significativa na presença diplomática colombiana no exterior. Espriella justificou a medida como parte de uma política de austeridade e foco em regiões estratégicas. Os cortes afetarão principalmente países onde a Colômbia mantém representações consideradas de baixo retorno político ou econômico. O presidente eleito não detalhou quais países serão afetados, mas sinalizou que a prioridade será fortalecer os laços com nações que compartilham valores democráticos e interesses comerciais.
Reações e contexto
As mudanças anunciadas por Espriella ocorrem em um contexto de polarização política na Colômbia. O atual presidente, Gustavo Petro, de esquerda, adotou uma política externa alinhada com governos progressistas da América Latina, incluindo Cuba e Nicarágua, e crítico a Israel. Espriella, por outro lado, representa uma virada à direita e promete uma política externa mais alinhada com os Estados Unidos e Israel. Analistas apontam que o rompimento com Cuba e Nicarágua pode isolar a Colômbia de alguns blocos regionais, mas também pode fortalecer alianças com países que criticam esses regimes. A abertura da embaixada em Jerusalém, por sua vez, deve gerar tensões com o mundo árabe e com a Palestina, embora Espriella já tenha indicado que pretende manter relações comerciais com nações árabes moderadas.



