Um temporal que atinge o Chile desde o dia 15 de junho já causou ao menos 10 mortes, 4 desaparecidos e mais de 100 mil pessoas isoladas, segundo balanço divulgado nesta segunda-feira (20) pelo governo. O presidente José Antonio Kast decretou estado de catástrofe nas regiões mais afetadas, permitindo a mobilização do Exército para trabalhos de resgate e restrição à circulação.
Chuvas extremas no deserto
O fenômeno começou no sul do país, mas agora castiga com intensidade as regiões desérticas de Coquimbo e Atacama, no norte, onde chuvas fortes são raras. Em Coquimbo, o volume de chuva que normalmente cai em um mês foi registrado em apenas uma hora, segundo o vice-ministro do Interior, Máximo Pavez, que classificou o evento como “anormal e extremo”.
“O que normalmente chove em um mês, caiu ontem em uma hora”, declarou Pavez. O governador de Coquimbo, Cristóbal Juliá, destacou que a última vez que a região teve chuvas intensas foi em 1997, e que “desta vez, foi muito superior”.
Danos e desabrigados
O temporal já destruiu ou danificou cerca de 2.200 moradias, deixou 2.400 desabrigados e mais de 100 mil pessoas isoladas devido ao bloqueio de estradas. Cerca de 150 mil pessoas continuam sem energia elétrica, segundo o Ministério da Energia. As inundações e a lama também causaram cortes no abastecimento de água potável.
“Há bairros cheios de lama, inundados, pessoas que perderam suas casas, seus pertences, que estão muito aflitas”, descreveu Juliá. “A situação superou todas as expectativas. Nossa infraestrutura foi danificada e tivemos que retirar nossa equipe de algumas instalações”, disse Andrés Nazer, gerente regional da empresa Aguas del Valle.
Resposta do governo
O presidente Kast decretou estado de catástrofe, medida que permite enviar militares, restringir a liberdade de circulação e agilizar a ajuda. “10 pessoas falecidas, quatro pessoas desaparecidas e 17 feridos”, informou à imprensa Alicia Cebrián, diretora do Serviço Nacional de Emergências (Senapred). Um boletim anterior havia noticiado cinco mortes.
Devido às fortes ondas e rajadas de vento superiores a 100 km/h, dezenas de portos em todo o país restringiram operações na semana passada como medida de precaução.



