América Latina tem geologia rica e custos competitivos para minerais críticos, avalia Moody's
América Latina tem geologia rica para minerais críticos, diz Moody's

A América Latina reúne condições favoráveis para se tornar um polo global de exploração de minerais críticos, fundamentais para a transição energética e a fabricação de tecnologias limpas. De acordo com um relatório da Moody's Ratings divulgado neste sábado (19), a região combina uma geologia rica em recursos como lítio, cobre e terras raras com custos operacionais competitivos, o que a coloca em posição estratégica no cenário mundial.

Vantagens competitivas da região

O estudo da Moody's destaca que a América Latina detém cerca de 60% das reservas mundiais de lítio, concentradas principalmente no chamado 'triângulo do lítio', que abrange Argentina, Bolívia e Chile. Além disso, a região responde por aproximadamente 40% da produção global de cobre, com destaque para Chile e Peru. Esses minerais são essenciais para a produção de baterias elétricas, painéis solares, turbinas eólicas e outros componentes de energia renovável.

"A América Latina tem uma geologia privilegiada e uma base de custos que a torna competitiva em relação a outras regiões produtoras", afirma o relatório, assinado pela analista-chefe de crédito para América Latina, Samar Maziad. "No entanto, a realização desse potencial dependerá de melhorias em infraestrutura, estabilidade regulatória e licenciamento ambiental."

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Desafios a superar

Apesar das vantagens naturais, a Moody's alerta que a região enfrenta obstáculos significativos para atrair investimentos de longo prazo. Entre os principais desafios estão a instabilidade política em alguns países, a burocracia para obtenção de licenças ambientais e a falta de infraestrutura adequada, especialmente em áreas remotas onde se localizam as jazidas.

"O custo de capital na América Latina é mais alto do que em países desenvolvidos, o que pode desestimular projetos de grande escala", explica Maziad. "Além disso, a dependência de importações de equipamentos e tecnologia eleva os custos operacionais." O relatório cita o exemplo do Chile, que recentemente propôs mudanças na tributação do cobre e do lítio, gerando incertezas para investidores.

Oportunidades com a transição energética

A demanda global por minerais críticos deve crescer exponencialmente nas próximas décadas, impulsionada pelos compromissos de redução de emissões de carbono. A Agência Internacional de Energia (AIE) estima que a demanda por lítio pode aumentar 40 vezes até 2040, enquanto a por cobre deve dobrar. Nesse contexto, a América Latina tem a chance de se consolidar como fornecedora estratégica.

"Países como Argentina e Chile já estão ampliando sua produção de lítio, e o Peru tem potencial para expandir a mineração de cobre", observa o relatório. "Mas é crucial que haja um ambiente de negócios estável e previsível para atrair os investimentos necessários."

Impactos econômicos e sociais

A exploração de minerais críticos pode gerar benefícios econômicos significativos para a região, incluindo empregos, arrecadação de impostos e desenvolvimento de infraestrutura. No entanto, a Moody's ressalta a importância de que os projetos sejam conduzidos de forma sustentável, com respeito às comunidades locais e ao meio ambiente.

"Os governos precisam equilibrar os interesses econômicos com as preocupações ambientais e sociais", conclui Maziad. "Uma abordagem responsável pode garantir que a região não apenas participe da cadeia global de valor, mas também colha os frutos do desenvolvimento sustentável."

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar