Diplomata ugandense entra na corrida para secretário-geral da ONU
Ugandense Olara Otunnu disputa cargo de secretário-geral da ONU

O diplomata ugandense Olara Otunnu entrou oficialmente na disputa para se tornar o próximo secretário-geral das Nações Unidas, tornando-se o sétimo candidato a suceder António Guterres, que deixará o cargo no final deste ano após dois mandatos de cinco anos. Aos 75 anos, Otunnu é o mais velho entre os postulantes ao cargo máximo da organização.

Indicação e trajetória

Otunnu, ex-subsecretário-geral da ONU que atuou como representante especial para crianças e conflitos armados, foi indicado por Uganda em uma carta enviada na sexta-feira (24) aos presidentes da Assembleia Geral e do Conselho de Segurança da ONU. Sua trajetória inclui décadas de experiência diplomática e defesa dos direitos humanos, especialmente em situações de guerra.

O sucessor de Guterres terá a tarefa de revitalizar uma organização que enfrenta crise e declínio, sob pressão para reformar uma burocracia considerada inchada e onerosa, além de eliminar duplicação de esforços entre suas agências. Em sua declaração de visão, Otunnu enfatizou a necessidade de dar continuidade às reformas institucionais e afirmou que dará prioridade imediata a esforços para ajudar a pôr fim aos principais conflitos internacionais.

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Prioridades e compromissos

O candidato ugandense também se comprometeu a trabalhar para estabelecer um órgão que supervise o trabalho da ONU em inteligência artificial, uma área emergente que requer governança global. Além disso, destacou a necessidade de ações contra as mudanças climáticas que não prejudiquem o desenvolvimento econômico, equilibrando sustentabilidade e crescimento.

Otunnu junta-se a uma lista de seis outros candidatos: Rafael Grossi, da Argentina, diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica; a ex-presidente chilena Michelle Bachelet; Rebeca Grynspan, ex-vice-presidente da Costa Rica; Maria Fernanda Espinosa, ex-ministra das Relações Exteriores e da Defesa do Equador; Carolyn Rodrigues-Birkett, ex-ministra das Relações Exteriores da Guiana; e Macky Sall, ex-presidente do Senegal. O processo de seleção deve começar nos próximos dias, com pesquisas informais no Conselho de Segurança, composto por 15 países, com o objetivo de reduzir o número de candidatos. Outros nomes ainda podem entrar na disputa.

Disputa e perspectivas

Diplomatas consultados afirmam que não há um favorito claro, embora haja uma percepção generalizada de que é a vez da América Latina indicar o líder da ONU, além de apoio para que uma mulher assuma o cargo pela primeira vez na história. Especialistas apontam que a chave para o sucesso será evitar um veto por parte de um dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança – especialmente China, Rússia ou Estados Unidos.

A eleição do próximo secretário-geral acontece em um momento de tensões geopolíticas e desafios globais, como guerras na Ucrânia e no Oriente Médio, crises humanitárias e a necessidade de reforma do Conselho de Segurança. Otunnu, com sua experiência em conflitos armados, pode trazer uma perspectiva africana para o debate, mas enfrenta concorrência forte de candidatos latino-americanos e de outras regiões.

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