O presidente do Flamengo, Luiz Eduardo Baptista, o Bap, explicou em entrevista os motivos pelos quais o clube decidiu não ceder o Centro de Treinamento Ninho do Urubu para a Copa do Mundo Feminina de 2027. A justificativa central foi o impacto financeiro que a medida causaria, especialmente em meio a uma queda de receitas já enfrentada pelo clube. Bap também criticou a ideia de paralisar o futebol masculino em função do torneio feminino, argumentando que isso geraria prejuízos semelhantes aos observados durante a Copa masculina.
Decisão polêmica e seus fundamentos
Segundo Bap, o Flamengo prioriza suas próprias atividades e não pretende interrompê-las para eventos externos. “Não deveria paralisar o futebol”, afirmou o presidente, referindo-se à proposta de pausa no calendário masculino durante a Copa Feminina. Ele destacou que o clube já possui projetos em andamento para o futebol feminino no Ninho do Urubu, como a construção de um centro de treinamento exclusivo para a equipe feminina, o que tornaria inviável a cessão do espaço principal para a competição.
Contexto financeiro e projetos internos
A queda de receitas mencionada por Bap está relacionada a fatores como a redução de bilheteria e premiações em anos anteriores. O presidente ressaltou que o Flamengo não pode abrir mão de suas fontes de renda em um momento de recuperação econômica. Além disso, os investimentos no futebol feminino, que incluem melhorias na infraestrutura do CT, são vistos como prioritários. “Temos um plano para o futebol feminino que será executado independentemente de eventos externos”, disse Bap.
Reações e desdobramentos
A decisão gerou debates entre torcedores e especialistas. Enquanto alguns apoiam a postura do clube em defender seus interesses financeiros, outros criticam a falta de apoio ao futebol feminino em um momento de crescimento da modalidade. A Copa do Mundo Feminina de 2027, que será sediada pelo Brasil, conta com a participação de 32 seleções e é vista como uma oportunidade para impulsionar o esporte. O Flamengo, no entanto, optou por manter o foco em suas próprias competições, como o Campeonato Brasileiro e a Libertadores.
O futuro do futebol feminino no Flamengo
Apesar da negativa, Bap garantiu que o clube continua comprometido com o desenvolvimento do futebol feminino. As obras no Ninho do Urubu para abrigar a equipe feminina devem ser concluídas nos próximos anos, proporcionando estrutura adequada para treinamentos e jogos. O presidente também mencionou a intenção de aumentar os investimentos em categorias de base femininas, visando formar atletas para o time principal. “Queremos que o Flamengo seja referência também no futebol feminino”, afirmou.
Impacto no calendário do futebol brasileiro
A proposta de paralisação do futebol masculino durante a Copa Feminina foi defendida por federações e clubes, mas encontrou resistência de equipes como o Flamengo. Bap argumentou que a interrupção geraria perda de receitas para todos os clubes, em um momento em que o futebol brasileiro ainda se recupera dos efeitos econômicos da pandemia e de outras crises. A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) ainda não se posicionou oficialmente sobre o assunto, mas a tendência é que o calendário seja mantido como está.
A decisão do Flamengo, portanto, reflete uma postura de cautela financeira e priorização de projetos internos. Enquanto a Copa Feminina de 2027 se aproxima, o clube carioca foca em fortalecer sua própria estrutura, tanto no futebol masculino quanto no feminino, evitando interferências externas que possam comprometer sua estabilidade econômica.



