O sistema elétrico de Cuba foi reconectado nesta terça-feira (4) às 12h35 no horário de Brasília, encerrando um apagão nacional que durou quase 48 horas. A informação foi divulgada pela União Elétrica de Cuba (UNE), empresa estatal de energia, em sua conta na rede social X. Este foi o sexto apagão generalizado que atinge a ilha em 2026, evidenciando a fragilidade da infraestrutura energética cubana.
O colapso do sistema elétrico cubano
Na noite de domingo, o governo cubano anunciou uma "desconexão total" do sistema elétrico, deixando todo o país no escuro. Na segunda-feira, uma nova tentativa de restabelecimento falhou, com um novo colapso impedindo o retorno da luz. Somente na manhã desta terça-feira, a UNE conseguiu restabelecer a energia em todo o território nacional.
Os apagões persistentes têm origem em dois fatores principais: o envelhecimento das usinas termelétricas e o embargo energético imposto pelos Estados Unidos. O bloqueio marítimo norte-americano interrompeu as entregas regulares de combustível, essencial para o funcionamento das centrais elétricas. Essas medidas fazem parte de uma campanha de pressão do governo Trump contra o governo cubano, iniciada no começo do ano.
Impacto do embargo norte-americano
Com a escassez de petróleo, a rede elétrica cubana sofre colapsos constantes. As sete usinas termelétricas que formam a base do sistema estão com avarias frequentes ou precisam ser desligadas para manutenção. Havana atribui o colapso às medidas punitivas de Washington, enquanto os Estados Unidos insistem que a responsabilidade é do governo cubano e da má gestão econômica.
"O bloqueio dos EUA é a causa principal da crise energética que enfrentamos", afirmou um porta-voz do Ministério de Energia e Minas de Cuba, em entrevista à imprensa local. "Sem acesso a combustível e peças de reposição, é impossível manter o sistema estável."
Consequências para a população
O apagão afetou diretamente a vida dos cubanos, que enfrentaram dias sem eletricidade em meio a temperaturas elevadas. Hospitais e serviços essenciais tiveram que operar com geradores, enquanto a população recorreu a velas e lamparinas. A situação é agravada pela crise econômica que o país atravessa, com escassez de alimentos e medicamentos.
Especialistas apontam que, mesmo com o restabelecimento da energia, a situação é precária. "Cuba precisará de investimentos massivos em infraestrutura e de uma solução política para o embargo para resolver definitivamente o problema", analisa Carlos Pérez, pesquisador da Universidade de Havana.
Perspectivas futuras
O governo cubano anunciou medidas emergenciais, como a importação de geradores e a priorização de áreas críticas. No entanto, sem uma mudança na política externa dos EUA, a tendência é que novos apagões ocorram. "Estamos diante de um ciclo vicioso que só será quebrado com diálogo e cooperação internacional", conclui Pérez.
A comunidade internacional acompanha com preocupação a situação, e organizações humanitárias pedem a suspensão do embargo para permitir a chegada de ajuda. Enquanto isso, os cubanos seguem resilientes, adaptando-se a uma realidade de cortes constantes de energia.



