ONG contra fome usa gastronomia para soluções climáticas
ONG contra fome usa gastronomia para clima

A organização não governamental que ganhou destaque por combater a fome por meio da gastronomia agora amplia seu escopo de atuação para enfrentar a crise climática. A iniciativa, que já beneficiou milhares de pessoas com cursos de culinária e aproveitamento integral de alimentos, passa a integrar práticas sustentáveis e educação ambiental em seus projetos.

Expansão para o clima

A ONG, cujo trabalho é reconhecido nacionalmente, anunciou que suas próximas ações incluirão o desenvolvimento de soluções climáticas, como a redução do desperdício alimentar e o incentivo a sistemas alimentares de baixo carbono. Segundo a diretora executiva, Mariana Silva, a conexão entre fome e clima é inevitável: “Não dá para falar de segurança alimentar sem falar de mudanças climáticas, que afetam diretamente a produção e o acesso aos alimentos.”

O novo programa, batizado de “Comida que Salva o Planeta”, terá início em comunidades de baixa renda em São Paulo e no Rio de Janeiro. A meta é capacitar 5.000 pessoas até o final de 2027, oferecendo oficinas que ensinam desde compostagem doméstica até técnicas de cultivo urbano.

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Impacto e números

Nos últimos três anos, a ONG formou mais de 3.000 cozinheiros comunitários, que juntos produziram cerca de 200 mil refeições para populações vulneráveis. Com a nova frente, a organização espera dobrar esses números, integrando a variável climática em todas as etapas do processo: da escolha dos ingredientes à gestão de resíduos.

Um estudo interno da organização indica que, se todas as práticas ensinadas forem aplicadas, cada família pode reduzir em até 30% o desperdício de alimentos, o que representa uma economia média de R$ 150 por mês e uma diminuição significativa na emissão de gases de efeito estufa.

Parcerias e financiamento

Para viabilizar a expansão, a ONG firmou parcerias com universidades públicas e empresas do setor alimentício. O projeto conta com financiamento inicial de R$ 2 milhões, provenientes de editais de sustentabilidade e doações de fundos internacionais. A diretora de projetos, Carla Mendes, ressalta a importância da colaboração: “Estamos unindo conhecimento acadêmico e experiência prática para criar soluções que sejam viáveis e replicáveis em outras regiões do país.”

Além das oficinas, a ONG pretende criar uma rede de “cozinhas verdes” em escolas e centros comunitários, onde serão testadas receitas que utilizam integralmente os alimentos e priorizam ingredientes locais e sazonais.

Próximos passos

O lançamento oficial do programa está previsto para setembro, durante a Semana da Alimentação Sustentável. A organização também planeja lançar um aplicativo gratuito que orienta sobre compostagem e dá dicas de receitas sustentáveis, ampliando seu alcance para além das comunidades atendidas presencialmente.

Com essa nova abordagem, a ONG espera contribuir para a agenda climática brasileira, mostrando que o combate à fome e a proteção do meio ambiente são causas que caminham juntas. “Queremos inspirar outras organizações a adotar uma visão integrada, porque a crise climática é também uma crise de desigualdade”, conclui Mariana Silva.

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