O São João, também conhecido como festa junina ou arraiá, é uma época marcada por delícias à base de milho, mandioca e outros ingredientes típicos. Para celebrar a data, chefs de diferentes regiões do Brasil revelam o que não pode faltar em suas mesas e compartilham memórias afetivas ligadas à culinária junina.
Brasiliense com alma mineira: croquete de milho e angu de leite
Rodrigo Isaias, do Benedita Cozinha, é brasiliense de nascença, mas filho de dois belorizontinos. Sua festa junina ideal começa com um croquete de milho, que ele descreve como "crocante, adocicado e cremoso". Em seguida, pede batata doce assada, "ao murro com manteiga de garrafa, com requeijão de corte cremoso e vinagrete de pinhão". Para finalizar, não dispensa um angu de leite com bolonhesa.
Mineiro raiz: caldo de feijão e canjica
Mário Santiago, chef do Lena, afirma: "como bom mineiro, não abro mão de um caldinho e amo caldinho de feijão". Outra presença obrigatória é a canjica doce, que ele chama de "munguzá" no estilo baiano, feita com leite e leite condensado. "Bom demais!", exalta.
Brasiliense apaixonada por milho
A chef do projeto Eixo – SENAC Departamento Nacional, também brasiliense, declara: "O que eu adoro comer no São João são coisas de milho, como pamonha doce com bastante queijo, bolo de milho, canjica, um milho assado – que faz toda a diferença – e, para terminar, um quentãozinho".
Baiano saudosista: bolo de aipim e memórias de família
Fabrício Lemos, chef do Grupo Origem, em Salvador (BA), ressalta a força do São João no Nordeste: "Aqui em Salvador, no Nordeste, o São João faz parte da nossa cultura, é muito vivo". Ele aprecia amendoim e milho, mas o bolo de aipim tem um significado especial: "minha mãe fazia para vender e meu irmão mais velho também já fez para vender nos Estados Unidos – me remete muito à família e isso me lembra muito do meu irmão, hoje já falecido".
Santista fanática por festa junina
Giovanna Perrone, do Cellar Cave, é declaradamente apaixonada pela data. "Para mim, é uma celebração cultural, uma época do ano que sempre me deixa ansiosa para chegar logo". Em sua lista, não podem faltar: pamonha, canjica, pé-de-moleque, caldo verde e quentão. "Basicamente tudo que vai amendoim e milho é comigo! E, além de tudo, esta época traz pinhão e alcachofra, que são das minhas coisas favoritas da vida".
Dicas da chef Irina Cordeiro para comer em São Paulo
A chef Irina Cordeiro, do Irina e Cuscuz da Irina, elege o milho como protagonista da festa. Para quem quer sentir o gostinho junino na capital paulista, ela indica três lugares. O primeiro é o Latada Nordestina, no Brás: "traz todas as coisas do Ceará, toda semana. Então, tem carneiro na brasa, carne de sol na brasa, comidas muito tradicionais, panelada, aquela comida que é do pós-festa. E claro que tem um cuscuzinho e um feijão farofado de cuscuz que é uma delícia". A segunda dica é o Espetinho do Luciano: "não tem como pensar em São João sem espeto e lá tem um feijão farofado de cuscuz que é incrível". Por fim, o Tabuleiro do Acarajé, em Santa Cecília, "pega as tradições mais baianas dentro desse festejo, com caldinhos – como o de sururu e o de camarão – que você tem que provar!".
Os endereços são: Latada Nordestina – R. Alm. Barroso, 23 – Brás; Tabuleiro do Acarajé – R. Jesuíno Pascoal, 30 – Santa Cecília.



