Dependência do INSS para aposentadoria atinge recorde, mostra Anbima
Dependência do INSS para aposentadoria bate recorde

O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) tornou-se o pilar central do planejamento financeiro dos brasileiros para a velhice, segundo a mais recente edição do Raio X do Investidor Brasileiro, pesquisa realizada pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima). O levantamento mostra que 60% dos brasileiros ainda não aposentados esperam se sustentar exclusivamente com o benefício previdenciário público. Esse patamar é o maior já registrado na série histórica da pesquisa, superando em três pontos percentuais o índice do ano anterior.

Expectativa de renda na aposentadoria

Além dos 60% que contam com o INSS, 15% dos entrevistados afirmaram que continuarão trabalhando e viverão do próprio salário. Outros 13% pretendem utilizar aplicações financeiras para compor a renda, enquanto 11% não sabem de onde virá o dinheiro. A previdência privada, produto especificamente desenhado para complementar o INSS, foi citada por apenas 5% dos respondentes. Para a Anbima, esses números indicam uma concentração de risco na Previdência Social, que já enfrenta desafios fiscais e demográficos.

Maioria dos benefícios é de salário mínimo

Mesmo com a alta dependência do INSS, os dados oficiais do instituto, confirmados ao jornal Extra, mostram que a maior parte dos beneficiários recebe o piso nacional. Em junho deste ano, o INSS pagou 42,1 milhões de benefícios, dos quais 29,1 milhões (69,1% do total) correspondiam ao valor de um salário mínimo, atualmente em R$ 1.621. Apenas 13.642 pessoas recebem o teto previdenciário de R$ 8.475,55, o que representa menos de 0,04% do total. O valor médio dos depósitos foi de R$ 2.124,72.

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Poupança para a aposentadoria ainda é exceção

O estudo da Anbima também revela um cenário preocupante em relação à formação de reserva financeira. Apenas 16% dos brasileiros que ainda não se aposentaram começaram a poupar para a velhice. Na prática, 84% não guardaram nada. Desse grupo, 57% dizem que pretendem começar a fazer reservas, mas 27% afirmam que não iniciaram nem pretendem iniciar. Essa falta de planejamento é agravada pela ausência de reserva de emergência: um em cada três brasileiros (31%) não possui qualquer poupança para imprevistos.

Reserva de emergência insuficiente

Entre os que têm algum dinheiro guardado, o fôlego financeiro é curto. Cerca de 20% dos entrevistados disseram que conseguiriam se manter por no máximo um mês. Para 43%, os recursos se esgotariam em até seis meses. Apenas 26% teriam condições de se sustentar por mais de seis meses com o que acumularam. Esses dados demonstram a vulnerabilidade financeira de grande parte da população diante de imprevistos ou da chegada da aposentadoria.

Diferenças entre gerações

A pesquisa também traz um recorte geracional. Entre os jovens da geração Z (16 a 29 anos), 66% ainda não começaram a formar reserva, mas pretendem fazê-lo. Apenas 12% já poupam. No extremo oposto, 56% dos boomers (65 anos ou mais) que ainda não se aposentaram afirmam que não pretendem começar a poupar. Já entre os millennials (30 a 44 anos), 18% já iniciaram a reserva e 58% pretendem começar. Na geração X (45 a 64 anos), os percentuais são de 18% e 49%, respectivamente. As faixas etárias seguem a classificação da Anbima, considerando as idades em 2025.

Segundo a Anbima, 93% dos brasileiros já aposentados afirmam que o dinheiro para o sustento vem do INSS, o que reforça a centralidade do sistema previdenciário público na realidade do país.

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