O Índice de Confiança de Serviços (ICS) recuou 3 pontos em julho, passando de 90,8 para 87,8 pontos, de acordo com a Fundação Getulio Vargas (FGV) e o Instituto Brasileiro de Economia (Ibre). O resultado interrompe a trajetória de alta observada nos dois meses anteriores e reflete um ambiente de maior cautela no setor.
Queda generalizada nos componentes
O indicador é composto por dois subíndices: o Índice de Situação Atual (ISA) e o Índice de Expectativas (IE). O ISA recuou 2,4 pontos, para 85,9 pontos, enquanto o IE caiu 3,7 pontos, para 89,9 pontos. Ambos contribuíram para a retração do ICS.
Segundo a FGV Ibre, a piora nas expectativas foi o principal motor da queda. Os empresários do setor de serviços reduziram as projeções para os próximos meses, especialmente em relação à demanda e à contratação de mão de obra.
Impacto setorial
Entre os segmentos pesquisados, houve queda generalizada. O setor de serviços profissionais e de informação foi o que mais influenciou a baixa, seguido por transporte e serviços prestados às famílias. Apenas o segmento de serviços imobiliários registrou leve alta.
Rodrigo Leão, economista da FGV Ibre, afirmou que “a redução da confiança em julho sinaliza que o setor de serviços pode enfrentar um ritmo mais moderado de atividade nos próximos meses, especialmente diante de um cenário de juros elevados e incertezas fiscais”.
Comparação histórica
Com o resultado, o ICS acumula queda de 2,1 pontos no trimestre móvel encerrado em julho. Na comparação interanual, o índice está 1,5 ponto abaixo do registrado em julho de 2025. A média histórica do indicador é de 85,2 pontos, ainda abaixo do nível atual, mas a tendência recente preocupa analistas.
A pesquisa da FGV Ibre ouviu 1.507 empresas entre os dias 1º e 26 de julho. O ICS é um dos indicadores antecedentes mais acompanhados para avaliar o rumo da economia brasileira no curto prazo.



