Ferrari Luce: Primeiro Elétrico da Marca Divide Opiniões em Goodwood
Ferrari Luce: Primeiro Elétrico Divide Opiniões em Goodwood

A Ferrari Luce, primeiro modelo 100% elétrico da marca italiana, foi apresentada durante o Festival de Velocidade de Goodwood, na Inglaterra, de maneira incomum: escondida atrás de cortinas no estande reservado da empresa, acessível apenas a convidados. Enquanto os demais carros da gama atual ficavam alinhados à frente, a Luce permanecia oculta, gerando curiosidade e controvérsia.

Design polêmico e imponência

O visual da Luce é o mais polêmico da Ferrari em anos. Com altura livre do solo elevada — a maior de toda a linha —, o modelo impressiona pelo porte grandalhão, acentuado por rodas de 24 polegadas, algo incomum até mesmo entre SUVs de grande porte e picapes. A reportagem do Estadão, que teve acesso ao carro, atesta que, de perto, o resultado é menos pior do que nas fotos. A imponência é inegável, mas o design arredondado confere um visual manso, que contrasta com a tradição esportiva da marca.

Parte da altura extra é consequência técnica das baterias instaladas no piso, que exigem estrutura maior. No entanto, a Ferrari parece ter abraçado essa necessidade para assumir de vez o porte avantajado do modelo.

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Interior inovador e capacidade para cinco

A Luce traz diversos recursos inéditos para a Ferrari. Pela primeira vez, um modelo da marca oferece capacidade para cinco ocupantes. As portas traseiras abrem no sentido inverso ao habitual (tipo suicida), no melhor estilo Rolls-Royce. O acabamento interior é impecável, como se espera de uma Ferrari, e inclui uma tela multimídia central articulada, que pode ser direcionada para o motorista ou para o passageiro.

O design interior é assinado pelo estúdio de Jony Ive, lendário designer responsável por produtos icônicos da Apple, como o iPhone. No entanto, desenhar eletrônicos de consumo massivo é diferente de projetar para uma das marcas automotivas mais icônicas do mundo. O resultado é um modelo que em nada remete à tradição da Ferrari, o que pode explicar por que a Luce não foi exposta ao lado dos outros modelos em Goodwood: ela destoaria demais.

Desempenho agressivo esconde visual manso

Apesar do visual controverso, os engenheiros da Ferrari presentes em Goodwood garantem que a Luce é agressiva na pista. Um especialista envolvido na arquitetura eletroeletrônica do modelo revelou que o torque dos motores elétricos é distribuído de forma instantânea e individual para cada uma das rodas. “Garantimos uma experiência de condução inédita e totalmente coerente com o DNA da marca”, afirmou o interlocutor, que preferiu não se identificar.

A Luce conta com 1.050 cv de potência e acelera de 0 a 100 km/h em 2,5 segundos. Enquanto o debate sobre o design inflamava a internet, o primeiro lote de vendas esgotou rapidamente. O público chinês foi o principal responsável por esse pico de demanda, deixando de lado o apego ao passado para abraçar a novidade. O modelo tem preço estimado de R$ 3,5 milhões (em conversão direta).

Reações e impacto no mercado

A Luce causou alvoroço desde sua primeira apresentação em maio de 2025. Virou meme nas redes sociais, gerou provocações de concorrentes e fez até o ex-presidente da companhia, Luca di Montezemolo, declarar com olhar desolado que o modelo simboliza “a destruição de um mito”. Pessoalmente, as linhas controversas não desagradam tanto, talvez porque resvalem em um campo conhecido e pouco surpreendente. Resta saber se a performance da Ferrari Luce será suficiente para converter haters em fãs.

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