Um dos fatores que influenciam a compra de um carro é a facilidade de revenda e a desvalorização ao longo do tempo. Pensando nisso, o Jornal do Carro consultou especialistas para listar os modelos com maior perda de valor no mercado brasileiro.
Modelos premium lideram desvalorização
De acordo com a Indicata, empresa que calcula a depreciação comparando o valor de anúncio de um modelo com três anos de uso e 60 mil km rodados em relação à versão zero quilômetro, os carros premium estão no topo da lista. O Porsche Panamera perdeu 30,8% do valor em dois anos, liderando o ranking.
Na segunda posição aparece o Land Rover Discovery, com depreciação de 28,8%, seguido pelo Discovery Sport, com 23,6%. O Audi e-tron registrou queda de 22,6%, enquanto o Jaguar E-Pace perdeu 21,2%. A Mercedes-Benz GLE e GLC tiveram desvalorizações de 19,8% e 14,8%, respectivamente, e o Kia Carnival fecha o top 8 com 13% de perda.
Metodologias diferentes, mesma tendência
A Auto Avaliar, que utiliza a Tabela Fipe para calcular a desvalorização de seminovos lançados entre 2023 e 2025, aponta o Honda Civic como o modelo que mais perdeu valor entre novembro de 2025 e abril de 2026, com redução de 20,7%. O BMW X5 aparece em segundo, com queda de 19,5%, e o Citroën Jumpy em terceiro, com 18,7%. O Porsche Cayenne (13,7%) e o Caoa Chery Arrizo 6 (12,5%) completam o top 5.
Carros que encalham na revenda
A Indicata também ranqueou os modelos com pior giro de estoque, medido pelo Market Days Supply (MDS). O BMW X7 com até dois anos de uso lidera, com MDS de 184 dias. O Jeep Compass diesel (até dois anos) tem MDS de 150, e o Volvo XC90 (cinco anos ou mais) apresenta MDS de 145. O Kia Carnival (MDS 116) e o BMW X5 (MDS 113) também aparecem na lista, mostrando que alguns veículos são difíceis de revender.
Mercados regionais contam histórias diferentes
As pesquisas têm base nacional, mas cada estado possui dinâmica própria. Por exemplo, o Jeep Compass (2023-2025) tem preço médio nacional de R$ 151.524, mas no Paraná valoriza 1,27%, enquanto em São Paulo e Santa Catarina os índices são de 0,5% e 0,4%. Em Pernambuco, desvaloriza 1,5%; em Minas Gerais, 1,2%; e no Amapá, a queda chega a 5,7%. Isso mostra que fatores regionais podem alterar significativamente a valorização e a liquidez dos veículos no mercado de seminovos.



