Encontros intencionais: como reconectar o casal além da rotina
Encontros intencionais: como reconectar o casal além da rotina

Jantar, cinema, teatro, filme em casa — todas essas opções são válidas para um encontro a dois. Mas, com o tempo, elas se desgastam, e programar momentos românticos que vão além de pedir comida por aplicativo e assistir a uma série na sala pode se tornar cada vez mais raro.

O que são encontros intencionais?

Em entrevista ao HuffPost, terapeutas de casal explicam a importância dos chamados encontros 'intencionais' — e o que exatamente isso significa. 'As exigências da vida diária — trabalho, filhos, manutenção da casa, logística — têm o poder de, aos poucos, afastar os momentos que constroem e sustentam a conexão entre o casal', diz Tara Gogolinski, terapeuta licenciada em casamento e família. 'Sem que nenhum dos dois queira, eles começam a se sentir mais como colegas de quarto do que como parceiros.'

Para a maioria dos especialistas, a questão não é quanto tempo o casal passa junto, mas o que faz com essas horas. 'Intimidade exige presença. Não é o mesmo que proximidade', afirma Laura Richer, terapeuta de casais e fundadora da Anchor Light Therapy. Ela ressalta que há uma grande diferença entre estar fisicamente no mesmo ambiente e estar emocionalmente conectado. Por isso, os terapeutas incentivam os casais a repensar completamente o conceito de encontro romântico.

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Novidade e descontração

Fazer atividades novas juntos é o que alimenta a empolgação e a diversão nos relacionamentos. 'Viver novidades juntos revigora a diversão, a alegria e o vínculo, porque conseguimos apreciar os pontos fortes do parceiro sob uma nova perspectiva', diz Claire Perelman, terapeuta sexual. Ela recomenda atividades fora da zona de conforto — desde cursos de cerâmica e boliche até aulas de shibari, para apimentar também a vida íntima. 'O importante é que esses encontros não se concentrem apenas em conversar', acrescenta.

Para Gogolinski, a novidade mantém os encontros 'frescos'. 'A novidade e a segurança emocional funcionam juntas de um modo que poucos percebem. A novidade impede que o relacionamento se torne previsível. E a previsibilidade é a antítese do desejo.'

Segurança emocional e vulnerabilidade

Além da novidade, a segurança emocional e a abertura para a vulnerabilidade são peças centrais. 'Novidade sem segurança emocional pode gerar ansiedade em vez de conexão', alerta Gogolinski. 'A segurança emocional é o que permite que ambos sejam vulneráveis, bobos e sintam incertezas sem medo de julgamento. Criar um espaço que nutra isso é o que possibilita a verdadeira intimidade.'

Uma sugestão prática é o 'jantar de primeiro encontro', proposto por Laura Richer: a refeição inteira deve ser baseada em perguntas inéditas entre o casal. Nada de questões fechadas, nem sobre logística, filhos ou trabalho. 'A falta de curiosidade é um dos principais fatores de distanciamento. A novidade na conversa reacende a sensação de por que você se apaixonou.'

Outra dinâmica recomendada é o 'Eu nunca disse que': cada um chega preparado com algo que sempre quis compartilhar, mas nunca encontrou o momento. A única resposta permitida é: 'Obrigado por me contar.'

Por fim, os terapeutas reforçam que o segredo não está em atividades caras ou elaboradas, mas na intenção genuína de se conectar. Mais do que o programa em si, o que fortalece a relação é a disposição de sair do piloto automático, investir na curiosidade pelo outro e cultivar um espaço onde ambos se sintam vistos, ouvidos e seguros. Afinal, um bom encontro não é aquele que impressiona, mas o que aproxima de verdade.

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