Na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio, a procura por aulas de música entre adultos cresce como forma de aliviar o estresse e melhorar a saúde mental. Segundo escolas e especialistas, a ansiedade, o excesso de telas e a rotina acelerada têm levado cada vez mais pessoas a aprender canto ou instrumento como hobby, sem pretensão artística profissional.
Menos de 20% dos alunos visam carreira
Dados de escolas de música da região indicam que menos de 20% dos alunos adultos têm como objetivo seguir carreira artística. A grande maioria busca lazer, bem-estar e uma pausa mental. "A música proporciona benefícios cognitivos e emocionais, mas deve ser diferenciada da musicoterapia, que é uma prática clínica", explica um especialista ouvido pela reportagem.
Benefícios comprovados
Estudos mostram que tocar um instrumento ou cantar estimula áreas do cérebro ligadas à memória, concentração e regulação emocional. A atividade reduz os níveis de cortisol, o hormônio do estresse, e aumenta a produção de dopamina e serotonina. Para muitos, a aula semanal se tornou um momento de descompressão.
Crescimento pós-pandemia
O aumento na procura por aulas presenciais reflete a busca por conexão real após o isolamento social. "As pessoas querem se reconectar com algo que não seja uma tela", afirma um professor de música da Barra. As escolas relatam turmas cheias e lista de espera para horários.
Hobby como terapia
Embora não substitua tratamento psicológico, o hobby musical funciona como complemento. Alunos relatam melhora na ansiedade e até na qualidade do sono. "Chego estressada do trabalho e saio leve", conta uma aluna. O fenômeno é global, mas ganha força no Rio, especialmente em bairros como Barra e Copacabana.



