O jornalista Renato Machado, morto aos 83 anos no Rio de Janeiro, foi lembrado por colegas e amigos como um mestre do telejornalismo brasileiro, marcado pela precisão na apuração, clareza no texto e generosidade ao ensinar. Ele apresentou e editou o Bom Dia Brasil por muitos anos e atuou como correspondente internacional, deixando um legado de elegância e rigor profissional.
Precisão e clareza como marcas registradas
Pedro Bial, jornalista e apresentador, destacou a precisão de Renato: “Como repórter, jornalista, Renato Machado se caracterizava pela precisão na apuração e na transmissão de notícias, pela clareza de seu texto e pela nobreza inigualável de sua narração.” A jornalista Leilane Neubarth ressaltou sua atenção constante: “Eu acho que uma das coisas mais importantes de um bom repórter, de um bom jornalista, é estar atento, e Renato tinha isso. Ele estava sempre atento.”
Generosidade e formação de gerações
Miriam Leitão, jornalista e economista, afirmou: “Ele é uma pessoa, um jornalista agudo, que sabia exatamente onde estava a notícia. Mas, sim, principalmente, ele era uma pessoa carinhosa com todo mundo que trabalhava com ele.” Sônia Bridi destacou a elegância e o requinte: “O Renato deixa um legado incrível de elegância e de requinte. Uma elegância no trato com as pessoas, uma gentileza interminável, e o requinte no uso das palavras.”
Memórias na bancada do Jornal Nacional
Sandra Annenberg, apresentadora, recordou momentos de aprendizado: “Nós, em plantões juntos no Jornal Nacional. Na redação, você declamava Shakespeare, dizia o texto de Romeu, jurava pela lua o amor por Julieta, e eu respondia: não jure pela lua, ela é tão inconstante. Com você, Renato, eu aprendi muito. A sua postura, o seu português escorreito. Eu gostava de ficar te observando, sentada ao seu lado na bancada. Como você tinha o tom perfeito para cada notícia.”
Liderança no Bom Dia Brasil
Como apresentador e editor-chefe do Bom Dia Brasil, Renato liderou uma equipe numerosa, sendo chamado carinhosamente de “Chefia”. William Bonner, apresentador do Jornal Nacional, disse: “Renato Machado era um desses profissionais do jornalismo que jamais se furtam a dividir a sua experiência com os colegas. E essa convivência com profissionais menos experientes do que ele, mais jovens do que ele, sempre foi muito rica para esse pessoal. Eu me incluo aí no time dos que puderam aproveitar essa companhia.”
Legado de espírito aventureiro
Renata Vasconcellos, apresentadora, destacou sua curiosidade: “Vai deixar um legado incrível para quem trabalhou com ele, quem teve o privilégio de assisti-lo no ar, seja na bancada, à frente de um telejornal, dando o norte para onde as notícias iriam naquele dia, sempre no começo do jornal, ou nas suas reportagens pelo mundo. Ele falava muitas línguas, com muitas gentes em muitos lugares. Tinha um espírito de menino, aventureiro e curioso, como todo repórter, bom repórter tem que ser.”
Homenagens e saudade
César Tralli, jornalista e apresentador, afirmou: “Além disso, era um ser humano maravilhoso, afetuoso, carinhoso, carismático. Ele passava isso para as pessoas em volta e para quem assistia, para o público também. Para nós, que defendemos o jornalismo profissional, o Renato foi um grande exemplo e deixa muita saudade.” Ana Paula Araújo complementou: “Eu vou sentir muita saudade do Renato. Mas ele fica um pouquinho também aqui comigo, com todos nós que trabalhamos com ele, porque ele realmente foi uma pessoa que teve uma passagem muito importante na vida de todos nós.” Renata Vasconcellos finalizou: “Ele deixa, para mim, essa profunda admiração por ele. Ele deixa, para mim, a concepção do que é ser generoso, do que é ser empático, e do que é ser um professor. Vá em paz, Renato. Que você descanse.”
Renato Machado também recebeu homenagem do Botafogo, seu time de coração, e foi descrito como amante de artes, óperas e profundo conhecedor de vinhos, parte de uma das melhores safras do jornalismo brasileiro.



