Indústria automobilística brasileira registra maior queda em 10 anos
Maior queda da indústria automobilística em 10 anos

A produção de veículos no Brasil registrou uma queda de 12% no primeiro semestre de 2026, a maior retração para o período em dez anos, de acordo com dados divulgados pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). O setor enfrenta uma combinação de demanda interna fraca, custos de produção elevados e incertezas econômicas.

Desempenho por segmento

No acumulado de janeiro a junho, foram produzidos 1,2 milhão de veículos, contra 1,36 milhão no mesmo período de 2025. Os automóveis de passeio tiveram retração de 11%, enquanto os comerciais leves caíram 14%. Caminhões e ônibus também apresentaram quedas significativas, de 9% e 8%, respectivamente.

Segundo o presidente da Anfavea, Antonio Megale, “a indústria automobilística brasileira está passando por um momento desafiador, com redução da atividade em todas as linhas de produção”. Ele atribui a queda à alta dos juros e à restrição ao crédito, que inibem as compras de veículos novos.

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Exportações e mercado interno

As exportações de veículos também recuaram 7% no semestre, para 250 mil unidades, impactadas pela desaceleração econômica na Argentina, principal destino dos carros brasileiros. O mercado interno, por sua vez, registrou vendas 10% menores, totalizando 1,15 milhão de unidades licenciadas.

“A confiança do consumidor está baixa, e muitos adiam a troca do carro por causa da inflação e do endividamento”, afirmou Megale. A Anfavea projeta que a produção total em 2026 deve ficar entre 2,3 milhões e 2,4 milhões de veículos, abaixo dos 2,6 milhões de 2025.

Impactos no emprego

O setor automotivo emprega diretamente cerca de 130 mil trabalhadores no Brasil. Com a redução da produção, várias montadoras anunciaram férias coletivas e programas de demissão voluntária. No primeiro semestre, foram fechados 3,5 mil postos de trabalho, segundo o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC.

O economista-chefe da consultoria Tendências, Rafael Bacciotti, avalia que a recuperação depende de um ambiente macroeconômico mais favorável. “Enquanto a Selic permanecer em dois dígitos e o crédito estiver caro, a indústria automobilística continuará sofrendo”, disse.

Perspectivas para o segundo semestre

A Anfavea espera que o lançamento de novos modelos e a redução gradual dos juros possam estimular a demanda no segundo semestre. No entanto, a associação alerta que a recuperação deve ser lenta e que o setor pode encerrar o ano com queda de 8% a 10% na produção.

“Precisamos de medidas estruturais para aumentar a competitividade, como a reforma tributária e a redução do custo Brasil”, concluiu Megale. O governo federal estuda linhas de crédito subsidiadas para renovação de frota, mas ainda não há anúncio oficial.

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