O técnico Luis Zubeldía não escondeu a irritação com o novo tropeço do Fluminense. Após o empate sem gols diante do Vasco, no jogo de ida das oitavas de final da Copa do Brasil, o treinador expôs a frustração: "É uma lástima. Me parece que tivemos boas chances, enquanto o Vasco praticamente teve apenas uma. Precisamos ser mais efetivos nessas situações. Poderíamos ter saído com a vitória". A declaração reflete um momento de impotência ofensiva que já atravessa quatro jogos consecutivos.
O Fluminense não vence há quatro partidas, todas terminadas em empate. O desempenho no ataque é o principal motivo de preocupação. A equipe criou oportunidades diante do Vasco, mas esbarrou nas finalizações e nas escolhas erradas nos últimos metros. O empate, no entanto, mantém a classificação em aberto para a volta, no Maracanã.
Retomada pós-Copa do Mundo escancara dificuldade
Desde a volta das competições depois da Copa do Mundo, o time marcou apenas uma vez em jogada aberta. O gol foi do zagueiro Ignácio, no empate contra o Bragantino. O outro tento do período saiu da marca do pênalti, cobrado por Hulk, na partida diante do Grêmio. São números que apontam para uma queda de rendimento generalizada do setor ofensivo.
Os últimos quatro empates trouxeram um padrão preocupante: domínio de posse e de ações, mas pouca ou nenhuma transformação em gol. Seja pelas defesas adversárias, seja pela falta de pontaria, o Fluminense tem perdido pontos preciosos. Para avançar na Copa do Brasil, será preciso reverter essa tendência.
Disputa por posição no ataque tricolor
A fase irregular coincide com a chegada do camisa 7, contratado para elevar o poder de criação do time. Ele teve a primeira chance como titular, mas as atuações não convenceram, e o técnico optou por sacá-lo no clássico, abrindo vaga para John Kennedy. JK, artilheiro da temporada com 14 gols, foi escolhido para o duelo com o Vasco, mas não aproveitou uma chance clara de gol, cara a cara com o goleiro Léo Jardim.
Ainda assim, John Kennedy mostrou serviço ao atrair marcações e servir os companheiros. Canobbio, pelo lado direito, foi o principal articulador, embora tenha errado seguidas vezes na decisão final. A impressão é que falta um pouco mais de tranquilidade para o último passe e para a finalização.
Meio-de-campo e a sombra de Ganso
Lucho Acosta e Savarino, peças importantes no esquema, voltaram a ficar devendo. Anulados pela defesa vascaína, eles não conseguiram dar fluência às jogadas. A produção abaixo do esperado da dupla é um dos fatores que explicam a turbulência tricolor no momento.
Mesmo com tantas dificuldades para furar a defesa adversária, Zubeldía não utilizou Paulo Henrique Ganso. O meia chegou a ser considerado para entrar no segundo tempo, mas foi preterido. "Precisávamos de outro perfil", justificou o treinador, mantendo o camisa 10 no banco mais uma vez.
A decisão da vaga será na quarta-feira, às 21h30, no Maracanã. O Fluminense terá o apoio da torcida para buscar a classificação. A cobrança é direta: é preciso ser mais efetivo diante do gol. A continuidade na Copa do Brasil dependerá de uma atuação muito mais consistente do que a exibida no confronto de ida.



