Em um cenário de crescente tensão entre a UEFA e a Fifa, dirigentes do futebol europeu e representantes dos principais clubes do continente reuniram-se, nesta quarta-feira, para discutir o futuro do Mundial de Clubes. O encontro, realizado em uma sede neutra, teve como pauta principal a insatisfação com o novo formato da competição, que será ampliado em 2025, e a falta de diálogo com a entidade máxima do futebol.
Impasse sobre o calendário e a carga de jogos
O principal ponto de discórdia é o calendário. Com a expansão do Mundial de Clubes para 32 equipes, a Fifa propôs que o torneio seja disputado em junho e julho de 2025, o que coincidiria com o período de pré-temporada dos clubes europeus. Segundo fontes ouvidas pela reportagem, os clubes temem que a competição aumente ainda mais a carga de jogos, que já é considerada excessiva, e comprometa a preparação para as ligas nacionais e competições continentais.
O presidente da UEFA, Aleksander Ceferin, que participou da reunião por videoconferência, reiterou a posição da entidade de que a decisão da Fifa foi tomada sem consulta adequada. "É inaceitável que uma competição desse porte seja imposta sem um diálogo real com as partes envolvidas", afirmou Ceferin, em trecho de sua fala repassado à imprensa.
Posição dos clubes e possíveis medidas
Os clubes europeus, por sua vez, estudam medidas que podem incluir desde um boicote ao torneio até a criação de uma competição alternativa, organizada pela própria UEFA. O Real Madrid, o Barcelona e o Bayern de Munique, entre outros, teriam manifestado forte oposição ao novo formato, segundo participantes do encontro.
O vice-presidente da Associação Europeia de Clubes (ECA), que preferiu não se identificar, disse que "os clubes estão unidos em defesa de seus interesses e da sustentabilidade do calendário". A ECA, que representa mais de 200 clubes do continente, já havia solicitado à Fifa uma revisão do formato, sem sucesso.
Impacto no futebol mundial
Especialistas apontam que uma eventual recusa dos clubes europeus em participar do Mundial de Clubes poderia desvalorizar a competição, que já enfrenta críticas por seu formato anterior, com apenas sete participantes. Por outro lado, a Fifa, que assinou contratos de transmissão e patrocínio bilionários, pressiona para que o novo modelo seja implementado.
O ex-atacante Ronaldo, que participou de um painel sobre o tema em um evento paralelo, comentou: "O futebol precisa de equilíbrio. Não se pode sobrecarregar os atletas e os clubes em nome de interesses comerciais". Ronaldo, que atualmente é empresário e dono de clube, afirmou que a discussão é legítima e que todas as partes devem encontrar um consenso.
Próximos passos e reunião com a Fifa
Ficou decidido que a UEFA e a ECA enviarão uma carta formal à Fifa, exigindo uma reunião de emergência para tratar do assunto. A expectativa é que a entidade máxima, presidida por Gianni Infantino, responda nos próximos dias. Caso não haja acordo, os clubes europeus podem se reunir novamente em setembro para definir ações concretas, incluindo a possibilidade de não disputar o torneio.
O impasse coloca em xeque a credibilidade do novo Mundial de Clubes, que a Fifa planeja realizar nos Estados Unidos, entre 15 de junho e 13 de julho de 2025. A competição contaria com 12 clubes europeus, entre eles os campeões das principais ligas do continente.
Reações da Fifa
Procurada, a Fifa não se manifestou oficialmente sobre a reunião desta quarta-feira. No entanto, em comunicado recente, a entidade defendeu o novo formato, alegando que ele "proporcionará uma experiência única para os fãs e gerará receitas significativas para o desenvolvimento do futebol em todo o mundo".
A crise entre UEFA e Fifa não é nova. Nos últimos anos, as duas entidades têm travado disputas por poder e influência, especialmente em relação à expansão do Mundial de 2026, que terá 48 seleções, e à criação de novas competições. O desfecho dessa novela pode redefinir o equilíbrio de forças no futebol global.



