Dez anos após os Jogos Olímpicos Rio-2016, o Complexo Esportivo de Deodoro, na zona oeste do Rio, continua sendo um retrato fiel dos contrastes do legado esportivo deixado pela competição. Enquanto algumas instalações operam a todo vapor, outras permanecem fechadas ou funcionando de forma precária, segundo levantamento feito pelo jornal O Globo.
Equipamentos em pleno funcionamento
No Estádio de Canoagem, por exemplo, a rotina é intensa. Atletas como Gabriel Mascarenhas treinam diariamente nas pistas que sediaram as provas olímpicas. O local se tornou referência para a modalidade no país, atraindo tanto competidores de alto rendimento quanto iniciantes.
O circuito de mountain bike, também localizado no complexo, passa por reformas para modernizar a estrutura e garantir condições adequadas de treinamento. A expectativa é que, após a conclusão das obras, o espaço volte a receber competições nacionais e internacionais.
Abandono e precariedade
Em contrapartida, a Arena da Juventude, instalada ao lado da Avenida Brasil, está completamente fechada ao público. O espaço, que durante os Jogos recebeu competições de basquete e esgrima, hoje se encontra sem uso, sem manutenção e sem previsão de reabertura.
Já a Arena de Tiro ao Alvo funciona de forma precária. A estrutura, que foi um dos cartões-postais das Olimpíadas, sofre com a falta de investimento e apresenta problemas de conservação. Apesar disso, ainda é utilizada por atletas e federações, mas em condições muito aquém do ideal.
Legado contrastante
O cenário em Deodoro reflete o que ocorre em outros locais que receberam eventos olímpicos no Rio de Janeiro. Enquanto alguns equipamentos conseguiram se manter ativos e integrados à comunidade, outros foram abandonados pelo poder público, gerando críticas de especialistas e da população.
“O legado olímpico deveria ser um ganho permanente para a cidade, mas o que vemos é uma gestão desigual, com alguns equipamentos funcionando bem e outros simplesmente abandonados”, afirma o arquiteto e urbanista Paulo Cezar, especialista em planejamento esportivo.
Números do legado
De acordo com dados da Prefeitura do Rio, dos 32 equipamentos permanentes construídos ou reformados para os Jogos, cerca de 70% estão em uso atualmente. No entanto, os 30% restantes, concentrados principalmente em Deodoro, representam um passivo significativo para a cidade.
No Complexo de Realengo, por exemplo, a Arena Radical, que sedia a canoagem, funciona plenamente, mas o circuito de mountain bike está em obras. Já a Arena da Juventude e a Arena de Tiro ao Alvo ilustram o abandono que preocupa moradores e atletas.
O futuro de Deodoro
A prefeitura afirma que estuda parcerias com a iniciativa privada para revitalizar os espaços ociosos, mas até o momento não há cronograma definido para as obras. Enquanto isso, a comunidade local convive com estruturas que poderiam ser usadas para lazer e esporte, mas que permanecem fechadas.
Para os atletas que utilizam os equipamentos ativos, a esperança é que o exemplo do Estádio de Canoagem sirva de inspiração para que os demais espaços sejam recuperados. “A canoagem mostrou que é possível manter um legado vivo. Falta vontade política para fazer o mesmo com as outras arenas”, conclui Gabriel Mascarenhas.



