Humberto da Costa Moreira, conhecido como o "Camisa 10" da narração esportiva amapaense, morreu nesta segunda-feira (27), aos 76 anos, após complicações de saúde. Natural de Macapá, ele construiu uma das carreiras mais importantes da comunicação na Amazônia, dividindo a trajetória entre o rádio, a televisão e a cobertura dos principais acontecimentos esportivos do estado e do país.
Início no rádio e a marca registrada
A carreira começou em 1967, quando Humberto ingressou na equipe esportiva da Rádio Difusora de Macapá. Inspirado pelo narrador Fiori Gigliotti, ele encontrou rapidamente sua maneira de passar emoção no rádio. Foi nessa emissora que eternizou o tradicional grito de gol: "É saco!", que atravessou gerações e se tornou uma das marcas registradas das transmissões esportivas no estado.
Foram mais de seis décadas dedicadas ao jornalismo. Nos últimos anos, Humberto estava novamente na Rádio Difusora de Macapá, onde havia dado os primeiros passos na profissão e consolidado um estilo próprio diante dos microfones.
Carreira na televisão
Em 1974, Humberto estreou na televisão durante a Copa do Mundo da Alemanha, pela TV Amapá (Rede Amazônica). No ano seguinte, foi contratado pela emissora e permaneceu até 1993. Durante esse período, apresentou o Jornal do Amapá, comandou o programa "A Bola é Nossa" — considerado o primeiro programa esportivo da TV amapaense — e também participou do "Operação Esporte".
Ainda muito jovem, em 1975, Humberto já ocupava posições de destaque: era apresentador esportivo, âncora de telejornal e chefe do Departamento de Jornalismo da TV Amapá. Mais tarde, construiu carreira na Radiobrás, integrando a equipe da Rádio Nacional, onde chegou ao cargo de gerente.
Cobertura internacional e presença em grandes estádios
Humberto também ultrapassou as fronteiras do país. Cobriu diretamente do Japão as finais da Copa Toyota, narrando confrontos históricos como Vasco da Gama x Real Madrid e Palmeiras x Manchester United. Trabalhou em estádios como o Maracanã, o Nacional de Tóquio e o Monumental de Núñez, em Buenos Aires.
Apesar de inúmeros convites para trabalhar em outros estados, foi no Amapá que sua presença constante nas competições locais se destacou. Ele valorizava atletas, clubes e campeonatos que ajudou a tornar conhecidos pelo público. Mesmo assim, guardava paixão pelo Botafogo de Futebol e Regatas, clube do qual era torcedor de coração.
Além do esporte: música e factual
O jornalista esteve em uma das coberturas mais emblemáticas da história do Amapá: o naufrágio do barco Novo Amapá, em 1981. Nessa ocasião, Humberto mostrou a versatilidade de um profissional que transitava entre o jornalismo esportivo e o factual.
Fora dos estúdios, outra paixão ocupava espaço em sua vida: a música. A voz de narrador também brilhou nos palcos como vocalista da banda "Os Cometas", uma das mais tradicionais dos bailes de Macapá nos anos 1980. Ele integrou ainda grupos como Os Joviais, Repiquete, Setentrionais e o Grupo de Chorinho Vou Vivendo, tornando-se também uma referência da cultura amapaense.
Legado e despedida
Ao longo de mais de seis décadas, Humberto Moreira acompanhou a evolução do jornalismo no Amapá, formou profissionais, testemunhou grandes momentos do esporte e ajudou a contar a história de inúmeras gerações de atletas e torcedores. Sua morte deixa uma lacuna na comunicação do estado e no coração dos amantes do futebol amapaense.
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