Em partida válida pela 19ª rodada do Brasileirão, o Bahia buscou o empate por 1 a 1 contra o Atlético-MG, nesta terça-feira, na Arena MRV. O zagueiro Ruan Tressoldi abriu o placar para o time mineiro ainda no primeiro tempo, enquanto Ademir deixou tudo igual na etapa complementar. O resultado mantém o Bahia fora do G-4, mas o técnico Rogério Ceni destacou os pontos positivos da atuação.
Análise de Rogério Ceni sobre a partida
Em entrevista coletiva após o jogo, Ceni avaliou o desempenho da equipe: "Jogo parelho, equilibrado. Começamos sofrendo, depois nos encontramos. Segundo tempo fomos bem superiores. Tivemos essa última grande chance do jogo com o David, faltou muito pouco para o gol. Acho que foi um jogo bem jogado, muitas finalizações, muita energia e entrega dos jogadores dos dois lados". O treinador lamentou a chance perdida no último lance, quando David Duarte cabeceou na trave. "Uma pena não ter saído esse gol no final, um gol que nos colocaria no G-4. Mas é um ponto importante, acho que fizemos o segundo tempo melhor que o primeiro e tivemos as oportunidades para fazer o segundo gol. Seguimos trabalhando, acho que mostramos que fizemos um bom jogo contra uma boa equipe. Mais coisas positivas que qualquer outra coisa", complementou.
Desempenho fora de casa e confiança
Ceni reforçou a necessidade de o time acreditar mais em seu potencial, especialmente fora de casa. "Acho que temos que acreditar mais na gente. Temos um bom time, mas fora de casa muitas vezes deixamos de acreditar em nosso potencial". Ele também explicou as mudanças táticas: "Em material de mudanças táticas, teve a entrada o Marcos Vitor, que fez o David Duarte ir para a esquerda por causa da lesão do Mingo. Mas o jeito do time jogar não mudou. No primeiro tempo erramos muito na construção. No segundo tempo tivemos índices melhores de acerto de passe, de construção. As trocas nos deram mais energia também, mas mudamos pouco a característica de jogo". O treinador destacou a melhora na conexão entre os jogadores: "No segundo tempo teve mais conexão, mais troca de passes por dentro, jogamos mais perto do nosso futebol".
Atuações individuais e jovens da base
Sobre o desempenho de Zé Guilherme, Ceni comentou: "Zé sofreu um pouco mais defensivamente, o Cuello deu muito trabalho para ele, é muito bom jogador. Sofreu nessas bolas longas, ligações diretas que o Atlético-MG fazia. Deixamos ele cansado, e aí, depois do cartão amarelo, tive que tirar e arriscar com o Iago, mesmo voltando de lesão". As joias da base Kauê Furquim e Ruan Pablo também foram elogiadas: "Kauê entrou bem pelo lado que ele gosta. Ruan Pablo entrou depois do gol, acho que foram bem. É difícil lançar mais de um ao mesmo tempo, mas para hoje nos deram força e velocidade junto com o dez, que baixou para fazer essa construção".
Próximo compromisso e análise de Rodrigo Nestor
Encerrado o primeiro turno, o Bahia inicia o returno no domingo contra o Corinthians, na Casa de Apostas Arena Fonte Nova, às 16h (horário de Brasília). Ceni também falou sobre Rodrigo Nestor: "Ele está sendo útil para a gente, tem uma boa visão de jogo. Dá um passe muito bom para o Ademir no lance do gol. Está entregando muito na parte física, é um jogador que tem que assumir mais protagonismo no jogo, foi contratado para isso. Fez dois bons jogos agora, independente de gols e assistência. Ele treinou um pouco mais nas últimas semanas, tem uma condição física privilegiada, está rendendo, está jogando e ganhando seus minutos".
Modelo de jogo e posse de bola
O treinador comparou o estilo de jogo do Bahia ao da Espanha: "A Espanha é o modelo de mais controle de jogo, uma capacidade de errar poucos passes. Não é pela Espanha, mas é o modelo de jogo que a gente tenta construir. Há dois anos atrás esse era nosso jogo natural, com Caio Alexandre, Jean Lucas, Everton Ribeiro, Cauly vindo de fora para dentro. Agora, com Erick e Acevedo, temos jogadores mais de força física, mas nos treinamentos estamos tentando passar mais essa qualidade". Ele destacou a importância de manter a posse de bola: "Claro que eu quero sempre ganhar o jogo, mas vim para a casa do adversário e manter um 50% x 50% de posse, finalizando mais, criando mais chances de gol, é um ponto positivo. Estamos sem Juba já há um bom tempo, hoje não tivemos Alejo, Caio teve uma nova lesão, são baixas. Temos condições de fazer um jogo bonito, de qualidade, vistoso. Mas temos que aproveitar as oportunidades. É um time formado para jogar, para ter a bola, e acho que está defendendo melhor no segundo semestre".
Função de Rodrigo Nestor e concorrência
Ceni detalhou a função de Nestor: "Ele joga no lado oposto ao Everton, ele não gosta muito do lado direito. Testei ele em uma função parecida com a do Everton e ele não se sentiu muito à vontade. O Nestor é um jogador com uma característica um pouco diferente, o Everton é um jogador único, mas perdeu alguns dias na intertemporada, ainda não tem uma condição para jogar tanto tempo, então deixo ele para influenciar o jogo na parte final. O Nestor tem ganhado espaço, feito bons jogos como um camisa oito mesmo, na ponta do tripé. Um jogador que cresceu nos últimos dois jogos, o campo vai falando, vai te mostrando. O Nestor também pode fazer mais de uma função, pode jogar em um quadrado. Fico feliz porque a concorrência melhora os jogadores, fazem eles lutarem por minutos em campo".



