A Federação Inglesa de Futebol (FA) retirou seu apoio à reeleição de Gianni Infantino à presidência da Fifa, em uma decisão que acentua o isolamento do dirigente suíço no cenário europeu. A informação, divulgada pela imprensa britânica, aponta que a FA enviará uma carta à Fifa nas próximas horas oficializando o rompimento. O movimento ocorre depois que Infantino abandonou o projeto de criar uma subsidiária com capital privado para explorar as competições da entidade.
O plano, conhecido como Fifa Forward Enterprise (FFE), previa a venda de participações minoritárias a investidores. A rejeição foi imediata, especialmente por parte da Uefa, e levou Infantino a recuar na última sexta-feira, três dias depois de lançar a ideia. Mesmo com o recuo, o episódio abalou a confiança das federações e desencadeou um movimento de afastamento.
Federações europeias se movimentam
Além da FA, as federações do País de Gales e da Finlândia já anunciaram publicamente a retirada de apoio ao atual presidente. A expectativa relatada pela imprensa internacional é que outros países europeus acompanhem a decisão. Entre as 55 associações ligadas à Uefa, apenas três não haviam se manifestado em favor da reeleição de Infantino antes da revelação do plano.
O posicionamento inglês representa uma mudança relevante, já que a FA mantinha um alinhamento recente com Infantino. A federação tinha negociado com o dirigente um acordo para sediar a Copa do Mundo Feminina de 2035. No sábado, contudo, a entidade divulgou nota defendendo uma "revisão completa e rigorosa da liderança e governança da Fifa", o que indica o fim do apoio.
A decisão da FA, uma das federações mais influentes do mundo, ocorre em um momento de fragilidade política de Infantino. O dirigente ainda tenta recompor sua base após o recuo no projeto da FFE, mas a perda de apoio na Europa tende a enfraquecer sua posição para o próximo ciclo eleitoral.
Entenda a Fifa Forward Enterprise
A FFE seria uma subsidiária com controle majoritário da Fifa. Investidores externos entrariam com capital minoritário, e a empresa passaria a concentrar a operação comercial das principais competições organizadas pela entidade, como a Copa do Mundo e a Copa do Mundo de Clubes. A meta era levantar até 4,2 bilhões de dólares, cerca de 21,5 bilhões de reais.
O desenho do negócio foi apresentado por Infantino como uma forma de impulsionar as receitas do futebol mundial. Para as federações, no entanto, soou como uma tentativa de abrir o capital da Fifa sem transparência. A proposta foi interpretada como uma ingerência externa na governança do esporte.
Uefa ameaçou boicotar torneios
A primeira reação contundente veio da Uefa. A confederação europeia anunciou que os 55 representantes de suas federações afiliadas boicotariam as competições futuras promovidas pela Fifa enquanto a FFE não fosse cancelada. A Concacaf, que abrange América do Norte, América Central e Caribe, também se posicionou contrariamente. A Confederação Asiática de Futebol (AFC) divulgou nota oficial reprovando a iniciativa.
O coro de críticas foi decisivo para o recuo. Na sexta-feira, Infantino anunciou o abandono do projeto. A desistência, no entanto, não foi suficiente para estancar o desgaste político. A FA, ao pedir a revisão da liderança da Fifa, deu um passo que vai além da rejeição pontual ao plano de negócios e sinaliza uma perda de confiança na condução da entidade.
Próximos passos
A carta que a FA enviará à Fifa é o primeiro passo formal do movimento. Acompanhada por Gales e Finlândia, a federação inglesa espera que outras nações europeias se manifestem nos próximos dias. O cenário coloca Infantino sob pressão no processo de reeleição, com uma base europeia rachada e federações de outros continentes atentas aos desdobramentos.



