A Polícia Civil do Ceará concluiu o inquérito e indiciou Paulo Silvio dos Santos, chefe da Comissão de Arbitragem da Federação Cearense de Futebol (FCF), por assédio sexual e importunação sexual. O caso veio a público após quatro árbitras registrarem boletim de ocorrência no dia 14 de julho. As denúncias foram feitas inicialmente à FCF no dia 10 de julho.
Detalhes das denúncias
As acusações contra Paulo Silvio remontam a 2018, quando as vítimas participavam do curso de formação de árbitras ou já atuavam profissionalmente. Como presidente da Comissão de Arbitragem, ele tinha a prerrogativa de definir as escalas dos jogos. Uma das denunciantes relatou tentativa de estupro, mas a Polícia Civil não o indiciou por esse crime. O inquérito foi encaminhado ao Poder Judiciário.
Relatos das árbitras
Uma das vítimas contou que, no final de 2022, Paulo Silvio passou a convidá-la para festas ou para ir à sua casa em horários inoportunos, por volta das 23h. Ela questionou: "Eu, como aluna da federação, por que vou para a casa de um presidente de comissão?" Após começar um namoro, ele parou de procurá-la e ela foi "escanteada" nas escalações, levando-a a desistir da arbitragem em 2025.
Outra árbitra ingressou na federação em 2018 e relatou convites frequentes para "tomar vinho" na casa do diretor. Em uma confraternização, após ingestão de bebidas alcoólicas, o grupo foi a um motel com piscina. Lá, Paulo Silvio a chamou para o quarto e tentou agarrá-la. Mesmo com sua recusa, ele insistiu e chegou a entrar no banheiro onde ela estava. Ela conseguiu sair e foi para casa. Depois disso, sua carreira na arbitragem estagnou.
As outras duas denunciantes também relataram comportamentos semelhantes de assédio.
Medidas da Federação
A FCF abriu uma sindicância administrativa para investigar o caso, conduzida por uma comissão de três pessoas, presidida por uma mulher. Paulo Silvio tirou licença de 30 dias do cargo, mas, segundo o diretor jurídico Eugênio Vasques, não retornará enquanto as investigações estiverem em andamento. A federação também preservou documentos, proibiu contato do investigado com as vítimas e vedou retaliações.
Ao final da sindicância, a comissão pode recomendar a demissão de Paulo Silvio e enviar o caso para a Comissão de Ética da CBF, que pode aplicar punições desportivas.
Posição da defesa
A defesa de Paulo Silvio negou as acusações em nota, afirmando que "jamais praticou qualquer conduta de assédio sexual, importunação sexual, violência sexual ou qualquer outro ato ilícito". A nota também criticou a divulgação pública das alegações antes da conclusão das investigações e pediu respeito ao devido processo legal e à presunção de inocência.



