Brasil eliminado nas oitavas: como repetir reviravolta de 1970 e 1994 em 2030?
Brasil eliminado: como repetir reviravolta de 70 e 94 em 2030?

O Brasil foi eliminado nas oitavas de final da Copa do Mundo de 2026 pela Noruega, repetindo o vexame de 1966 e 1990, quando também caiu antes das quartas. Historicamente, a Seleção se reinventou após esses fracassos e conquistou o título mundial no ciclo seguinte: em 1970 e 1994. Agora, com o maior jejum de títulos desde 2002, a pergunta é: o que precisa ser feito para repetir essa reviravolta em 2030?

Contexto dos vexames e recuperações

Em 1966, o Brasil bicampeão mundial foi eliminado na fase de grupos, com uma preparação caótica: 46 convocados, times divididos por cores, preparador físico de judô. A CBD vivia desorganização e conflitos internos. Após o fracasso, João Saldanha assumiu, mas foi demitido por pressão militar, e Zagallo comandou o triunfo em 1970 com uma preparação física de 120 dias e renovação mesclada a veteranos.

Em 1990, o Brasil caiu para a Argentina nas oitavas, após vencer os três jogos da fase de grupos. O ambiente foi marcado por briga por premiação — a CBF recebeu o dobro do que repassou aos jogadores — e discussões táticas com o técnico Sebastião Lazaroni. Após a Copa, Falcão iniciou renovação forçada, mas a base do tetra veio com Parreira e Zagallo, que estabeleceram disciplina rígida e premiação igualitária. Jorginho, lateral do tetra, afirma: “O ambiente mudou, todo mundo feliz, trabalhando por um propósito só. Na Copa não teve nenhuma discussão, o Parreira foi muito firme.”

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Erros do ciclo de 2026

O desempenho em 2026 refletiu um ciclo conturbado: mudança na presidência da CBF, três treinadores interinos (Ramon Menezes, Fernando Diniz, Dorival Júnior) até a chegada de Carlo Ancelotti em maio de 2025, com apenas um ano de preparação. A Noruega, comandada por Stale Solbakken desde 2021, dominou a posse de bola (70%) e eliminou o Brasil. O ex-lateral Jorginho critica: “O Brasil não pode ser reativo. É inadmissível entregar a bola e jogar no contra-ataque.”

Outro ponto é a escassez de meias criativos. Enquanto a Espanha, finalista em 2026, conta com Pedri, Fabián Ruiz, Gavi, entre outros, o Brasil carece de jogadores com essa característica. Pedro Smania, coordenador de base com passagens por São Paulo e Cuiabá, explica: “O mercado busca velocidade, pontas jovens valem muito. O meia exige leitura de jogo, controle emocional, e demora a ser formado. O futebol brasileiro exige imediatismo.” Ele cita o caso de Ed Carlos, apontado pelo The Guardian como promessa, mas que hoje atua no Botafogo-PB, sem conseguir espaço.

Caminhos para 2030

Diferente de 1970 e 1994, o técnico Carlo Ancelotti tem contrato renovado até 2030, o que pode dar estabilidade. No entanto, sua filosofia não prioriza a posse de bola — no título da Champions 2023/24, o Real Madrid teve 47% de posse média no mata-mata. A pressão psicológica será enorme, com o maior jejum da história. Jorginho aconselha: “Sejam resilientes, passem por cima. É possível detectar erros e cobrar da CBF.”

A formação de atletas é crucial. Países como Noruega, França, Bélgica e Inglaterra investem em centros de treinamento e metodologias nacionais. No Brasil, a base é tratada como custo, não investimento, e o calendário prioriza jogos em detrimento de treinos e educação. Smania defende uma diretriz nacional: “A formação cognitiva passa pela educação formal, que está em segundo plano. Precisa ser repensada.”

Em 2030, o Brasil sairá atrás de França, Espanha e Argentina. As decisões nos próximos quatro anos, da base ao profissional, definirão se a Seleção conseguirá repetir as reviravoltas de 1970 e 1994.

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