Guilherme Costa analisa eliminação do Brasil na Liga das Nações de vôlei
Análise: Brasil eliminado na Liga das Nações de vôlei

Desde a década de 1980, a seleção brasileira masculina de vôlei está entre as melhores do mundo. Neste período, o Brasil passou por várias fases. Já teve, por anos, os melhores jogadores. Em outros momentos, o coração falava mais alto, mesmo com problemas na parte técnica. Em alguns casos, a comissão técnica se agigantava nas fases finais. Sempre, de alguma forma, o Brasil esteve entre os melhores. Neste ciclo, porém, o elenco não tem grandes craques, joga sem coração, e a comissão técnica tem dificuldades de encontrar soluções. Mas ainda há tempo para mudar.

Brasil 0 x 3 Polônia: a eliminação

É para jogar tudo fora e recomeçar? Não, definitivamente não. Temos boas peças que podem formar um time competitivo para os próximos dois anos, como visto no bronze do ano passado na Liga das Nações ou em determinados jogos da primeira semana da Liga deste ano, em maio. Mas a comissão técnica, encabeçada por Bernardinho, precisa saber tirar destes atletas o 100%. São dois meses até o Pré-Olímpico. Neste período, o Brasil fará amistosos contra Japão e França, duas das melhores seleções da atualidade. Ainda disputará um torneio promovido pela Federação Italiana, com participação de Itália, Cuba e Alemanha. Serão momentos importantes para aparar as arestas para conquistar a vaga olímpica pelo Sul-Americano. No papel, a preparação traz bons caminhos. Ótima chance para elevar o nível e conseguir tirar o 100% desse elenco.

Recordes negativos se acumulam

Os recordes negativos se enfileiraram nos últimos anos. Primeiro, a inédita derrota no Campeonato Sul-Americano para a Argentina, em 2023. Nas Olimpíadas de Paris 2024, a primeira campanha sem atingir uma semifinal no século. No Mundial de 2025, a 17ª posição foi a pior da história do Brasil na competição. E, agora, a nona posição na Liga das Nações, pela segunda vez em quase 40 anos fora da fase final.

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A grande questão é que o Brasil não teve uma "grande desculpa" para a campanha na Liga. O time não teve nenhum desfalque entre os titulares, não rodou o elenco em busca de uma melhor formação, e sequer teve a chance de poupar atletas. Ou seja, a equipe teve, em teoria, 100% dos atletas em todas as partidas. E, ainda assim, perdeu cinco jogos e ficou fora da fase final.

Problemas em todos os setores

Não existe uma posição em que o Brasil esteja mais defasado. As questões estão problemáticas em todos os setores. Embora tenhamos Darlan e uma grande promessa Bryan, de 20 anos, como opostos, essa posição ainda não tem salvado a seleção nas partidas. Já os ponteiros são pouco eficazes no ataque e no saque. Os centrais alternam: os que bloqueiam bem, não atacam. Os que atacam, têm números ruins no bloqueio. Maique, líbero titular, é um grande jogador, mas fez uma Liga bem abaixo do esperado. No levantamento, Cachopa e Brasília são bons, têm espasmos muito positivos, mas longe da genialidade dos levantadores titulares nos últimos 40 anos.

O que esperar para o Pré-Olímpico

A Liga mostrou que o Brasil, jogando no auge, consegue ter momentos bons contra as melhores seleções do mundo. Mas esse auge dura metade de um set. Nos últimos pontos, o nível cai, como visto contra Polônia e Estados Unidos. Agora são quase dois meses de preparação, que vão envolver jogos amistosos e treinos em Saquarema. Esse período será importantíssimo para as pretensões no Pré-Olímpico, já que, se jogar no mesmo nível da Liga das Nações, a chance de perder a vaga, em casa, para a Argentina é grande. Se elevar o nível, vence o Sul-Americano e tranquiliza o caminho para os Jogos de 2028.

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