Acordo que abalou o poder de Gianni Infantino na FIFA
Acordo que abalou o poder de Infantino na FIFA

Um acordo histórico entre a FIFA e os clubes europeus, anunciado em meio à Copa do Mundo de 2026, desencadeou a maior crise do mandato de Gianni Infantino. O pacto, que redefine o calendário internacional e a distribuição de receitas, colocou o presidente da entidade sob forte pressão de confederações e ligas nacionais, que veem seus interesses ameaçados.

Os termos do acordo

O acordo, firmado com a Associação Europeia de Clubes (ECA) e a UEFA, estabelece um novo Mundial de Clubes com 32 equipes, a ser realizado a cada quatro anos, e garante aos clubes europeus uma fatia maior dos lucros das competições da FIFA. Em troca, os clubes se comprometem a liberar jogadores para as seleções nacionais em datas específicas, algo que historicamente gerou conflitos.

Segundo fontes próximas às negociações, a FIFA cedeu às pressões dos gigantes europeus, que ameaçaram boicotar o novo formato do Mundial de Clubes. O acordo prevê que a FIFA repasse cerca de 3 bilhões de dólares aos clubes participantes, um valor inédito na história do futebol.

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Reações imediatas

A reação das confederações sul-americana, africana e asiática foi imediata. Em nota conjunta, elas criticaram a falta de transparência nas negociações e o impacto negativo nas ligas domésticas e nas seleções de países em desenvolvimento. "Este acordo concentra ainda mais poder e recursos nas mãos dos clubes ricos, em detrimento do futebol global", afirmou um dirigente sul-americano, sob condição de anonimato.

Internamente, na FIFA, conselheiros de Infantino alertaram para o risco de uma ruptura institucional. A Federação Internacional de Futebol Profissional (FIFPro) também se manifestou, preocupada com a carga de jogos sobre os atletas, que pode aumentar com o novo calendário.

O impacto no calendário

O novo Mundial de Clubes, previsto para 2029, ocupará um mês inteiro de junho, substituindo a tradicional data FIFA de junho. Isso forçará ligas nacionais, como o Campeonato Brasileiro, a reduzir suas pausas ou a se adaptar a um calendário mais apertado. Especialistas em gestão esportiva alertam que a medida pode desvalorizar as competições nacionais e aumentar a diferença entre os clubes europeus e os demais.

Dados da própria FIFA indicam que, nas últimas duas décadas, a receita dos clubes europeus cresceu 250%, enquanto a dos clubes de outras regiões ficou estagnada. O acordo tende a acentuar essa disparidade, gerando críticas de que a entidade estaria priorizando o lucro em detrimento do esporte.

A queda de popularidade de Infantino

Pesquisas internas encomendadas pela FIFA mostram que a aprovação de Infantino entre as federações filiadas caiu de 78% para 52% desde o anúncio do acordo. A crise se agrava em um momento em que ele busca a reeleição para um novo mandato, em 2027. Rivais políticos já articulam uma candidatura de oposição, apoiados por confederações insatisfeitas.

Analistas políticos esportivos apontam que Infantino, que assumiu a FIFA em 2016 com a promessa de modernizar a entidade, agora enfrenta o maior desafio de sua gestão. "Ele sempre foi hábil em construir consensos, mas desta vez ele pode ter ultrapassado os limites", comentou um professor de administração esportiva de uma universidade europeia.

A posição da FIFA

Em resposta às críticas, a FIFA divulgou nota oficial defendendo o acordo como "um passo histórico para o desenvolvimento do futebol global" e garantindo que todas as confederações foram consultadas. No entanto, documentos vazados para a imprensa sugerem que as reuniões foram conduzidas às pressas, com pouca margem para alterações.

A crise também expôs divisões internas na entidade. O secretário-geral, que preferiu não se identificar, teria expressado preocupação com a imagem da FIFA diante de patrocinadores e parceiros comerciais. As marcas, sensíveis a controvérsias, podem pressionar por uma revisão dos termos.

O futuro do futebol mundial

Especialistas divergem sobre os desdobramentos. Alguns acreditam que o acordo é irreversível e que o futebol caminha para um modelo dominado por uma superliga de clubes, enquanto outros apostam em uma negociação que possa equilibrar os interesses. O que está em jogo é a governança do esporte mais popular do planeta.

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Para os torcedores, o impacto pode ser sentido na diminuição da competitividade das seleções nacionais em Copas do Mundo futuras, caso os clubes priorizem seus interesses comerciais. A próxima Assembleia Geral da FIFA, marcada para dezembro, será o palco de uma disputa que pode definir o futuro de Infantino e do futebol.